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“Guerra afeta zona do globo que não só produz energia como empresta dinheiro”

Se as consequências mais imediatas do conflito no Médio Oriente estão identificadas, António Ramalho e Gonçalo Moura Martins analisam os efeitos estruturantes que se podem verificar no longo prazo. Novo episódio do podcast Partida de Xadrez vai para o ar esta segunda-feira.

O impacto nos preços do conflito no Médio Oriente é o tema deste episódio.
O impacto nos preços do conflito no Médio Oriente é o tema deste episódio.
12:00

“Há uma grande assimetria nesta crise” provocada pela guerra iniciada a 28 de fevereiro pelos EUA e Israel contra o Irão, afirma António Ramalho no 51.º episódio do podcast Partida de Xadrez que vai para o ar esta segunda-feira no site do Negócios e nas principais plataformas. Isso, explica, porque o conflito “afeta sobretudo países que são exportadores de petróleo, quer pela incapacidade de passar pelo estreito de Ormuz, quer pela destruição de infraestruturas”, mas também porque se tratam de “países aforradores e distribuidores de fundos pelo mundo inteiro”, que estão também muito dependentes da qualidade técnica de recursos humanos do mundo ocidental.

“Estamos a esquecer-nos que estamos a afetar uma zona do globo que não só produz energia, como empresta dinheiro”, lembra o gestor, acrescentando que “este é um elemento central porque o nível de redistribuição da dívida, sobretudo nos países emergentes, é extraordinariamente elevado e tem sido sempre muito suportado pela capacidade excedentária que esta zona tem de colocação de fundos no mundo”. Agora, salienta, “não sabemos qual vai ser a avaliação dos aforradores perante uma situação como esta, que criou um nível de instabilidade do ponto de vista regional muito para além do que era estimado”.

Estes, diz, podem ser alguns dos efeitos, estruturantes e sérios, que se podem verificar no longo prazo, já que no curto prazo as consequências nos preços do petróleo, gás ou fertilizantes estão já identificadas.

Por seu lado, Gonçalo Moura Martins inclui a atual crise nas seis grandes crises energéticas mundiais, que “são todas diferentes”, mas com efeitos que “nunca são de curto prazo”. Dessas, explica, a de 1973 foi a que teve o maior impacto inflacionista”, que só nos EUA chegou a atingir 15%. Já a que teve mais impacto no preço do crude foi a crise financeira de 2008, quando o preço do petróleo atingiu o máximo de 147 dólares por barril.  Já a crise atual, sublinha, tem uma singularidade: “Pela primeira vez houve um bloqueio físico do principal canal distribuidor, o estreito de Ormuz, que diminuiu quase 20%" do consumo mundial de petróleo. “Em nenhuma das outras crises isso aconteceu”, apontou.

Em seu entender, “sendo essa a principal característica desta crise, se este bloqueio físico se mantiver, mesmo havendo cessar fogo, a continuação dos seus efeitos vai ser permanente”. Desta forma, avisa, “vamos poder ter impactos significativos de uma crise mesmo não estando em guerra”, caso passe a haver portagens no estreito de Ormuz ou o principal mercado ressegurador mundial, Londres, continue com grande resistência a manter ativos seguros. “Estamos perante uma crise que pode ser a pior das que vivemos. Enquanto todas as outras eram danos colaterais de factos políticos que não se passavam nos principais países produtores de petróleo, nestes a guerra está no epicentro da grande infraestrutura petrolífera mundial”, afirma, frisando que “o impacto, muito mais profundo do ponto de vista económico do que nas outras crises, vai ser mais difícil de resolver”.

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