Mundo Trump demitiu Tillerson por este ter "mentalidade diferente"

Trump demitiu Tillerson por este ter "mentalidade diferente"

O presidente dos Estados Unidos justificou a demissão do chefe da diplomacia norte-americano com o facto de ambos terem um "pensamento diferente". Já Tillerson fala na importância de uma resposta às acções do governo russo.
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David Santiago 13 de março de 2018 às 19:32

Foi há apenas 14 meses que Donald Trump se referiu a Rex Tillerson como um "jogador de classe mundial". Nessa altura, o presidente dos Estados Unidos justificava assim a nomeação do ex-líder da Exxon Mobil para chefe da diplomacia norte-americana.

Agora Trump alude à "mentalidade diferente" de Tillerson para justificar a demissão hoje anunciada"Na verdade não pensamos as mesmas coisas. Realmente, [Tillerson tem] uma mentalidade diferente, um pensamento diferente", respondeu Donald Trump aos jornalistas quando instado a explicar as razões que o levaram a demitir o homem que, há pouco mais de um ano, apresentou como um dos principais trunfos da então nova administração americana.

Apesar das notícias que dão conta da intenção de Trump renovar a sua equipa diplomática antes do relevante encontro com o líder norte-coreano Kim Jong-un, a realizar em Maio, o presidente concedeu uma explicação adicional: o presidente americano não lida bem com posições diferentes da sua e é esse o caso de Tillerson, designadamente no que ao acordo sobre o nuclear iraniano diz respeito.

"De facto, demo-nos bastante bem mas discordamos sobre algumas coisas. Olhando para o acordo com o Irão: eu acho que é péssimo, e acho que ele pensa que está ok. Eu queria rasgá-lo (ao acordo) ou algo do género e ele pensava de forma diferente", explicou Trump.

 

O presidente americano revelou ainda um dos factores para escolher o até aqui director da CIA, Mike Pompeo, como substituto de Tillerson: Trump e Pompeo têm um "processo de pensamento similar". Além de estar alinhado com as políticas de Trump, Pompeo fez um percurso político marcado pela ligação ao "Tea Party", a ala mais ortodoxa e radical dos republicanos.

Trump considera que o acordo sobre o nuclear iraniano assinado por Barack Obama em 2015 "é o pior acordo da história dos acordos". Pompeo sempre se opôs a este compromisso que permitiu levantar uma série de sanções impostas pela comunidade internacional a Teerão, permitindo normalizar o regime iraniano. Com a chegada de Trump à Casa Branca, a diplomacia americana tomou claro partido pela Arábia Saudita na disputa regional entre sunistas e xiitas.

Tillerson assume necessidade de responder a Moscovo

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Pelo seu lado, Rex Tillerson falou ao final da tarde (hora de Lisboa) para anunciar que o seu mandato como secretário de Estados norte-americano chegará ao fim à meia-noite do próximo dia 31 de Março. 

Ao cabo de pouco mais de um ano como chefe da diplomacia americana, Tillerson fez questão de fazer um balanço positivo destes cerca de 14 meses. Como um dos principais feitos destacou os esforços diplomáticos que contribuíram para levar a Coreia do Norte para a mesa de negociações.

Os progressos alcançados no Afeganistão e o sucesso no combate ao Daesh na Síria foram também salientados por Rex Tillerson cuja preocupação número um é nesta altura assegurar uma "transição ordeira e suave" para Pompeo.

Todavia, Tillerson quis sublinhar que "há ainda muito trabalho por fazer para responder ao comportamento e acções perturbadoras da parte do governo da Rússia", sustentado que Moscovo tem de "avaliar" se pretende prosseguir esta linha de acção que levará inevitavelmente ao "isolamento" do país. Trump continua a não condenar as acções russas de desestabilização prévias às eleições presidenciais americanas de 2016.


Esta tarde, Trump disse aos jornalistas que havia discutido com Tillerson a respectiva saída da administração americana. Contudo, esta terça-feira o subsecretário do Departamento de Estado, Steve Goldstein revelou que Tillerson desconhecia que iria ser afastado, tendo portanto sido apanhado de surpresa. Já depois destas declarações., Goldstein foi também demitido pela Casa branca, segundo revelaram duas fontes à agência Reuters.




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