Governadora alerta que Fed pode não conseguir combater desemprego gerado pela IA

Em causa está a adoção da IA nos Estados Unidos, fator que pode levar a um aumento do desemprego que a Reserva Federal poderá não conseguir combater com taxas de juros mais baixas, disse a governadora Lisa Cook.
Lisa Cook, governadora da Fed, com Jerome Powell, presidente do banco central.
AP/Mark Schiefelbein
João Duarte Fernandes 15:52

A governadora da Reserva Federal (Fed) Lisa Cook alertou nesta segunda-feira que o banco central norte-americano poderá não conseguir controlar o aumento do desemprego impulsionado pela adoção da inteligência artificial (IA). Recorde-se que os dois mandatos da Fed são o pleno emprego e a estabilidade da inflação em torno de 2%.

“Se a IA continuar a aumentar a produtividade, o crescimento económico poderá permanecer forte, mesmo que a rotatividade no mercado de trabalho leve a um aumento do desemprego. Numa explosão de produtividade como esta, um aumento do desemprego pode não indicar um aumento da folga [no mercado laboral]”, afirmou Cook na terça-feira, em declarações num evento em Washington, citada pela Bloomberg.

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Assim sendo, acrescentou a governadora da Fed, “a nossa política monetária normal do lado da procura pode não ser capaz de amenizar um período de desemprego causado pela IA sem também aumentar a pressão inflacionária”.

Os comentários de Cook juntam-se a uma série de outros feitos recentemente por decisores de política monetária da Reserva Federal que abordam a questão de como a IA poderá influenciar as decisões de política monetária nos próximos anos. Outros membros da Fed sugeriram recentemente que um “boom” de produtividade impulsionado pela IA poderia aumentar a chamada taxa de juro neutral – o nível a que as taxas diretoras se devem fixar para manter a economia estável.

Ainda assim, Cook apresentou algumas situações que poderão contrariar esta leitura. “Com o investimento a contribuir para uma forte procura agregada, é possível que a taxa neutral atual seja mais elevada do que antes da pandemia”, afirmou. “Esta situação poderá reverter-se quando os ganhos de produtividade da IA forem mais plenamente concretizados ou se a transição do mercado de trabalho conduzir a um aumento da desigualdade de rendimentos, de tal forma que os consumidores abastados recebam uma maior parte do rendimento, o que poderia reduzir a taxa neutra, mantendo-se tudo o resto igual”, sublinhou.

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Na sua última reunião no final de janeiro, a Fed manteve a sua taxa de referência inalterada, citando sinais de estabilização no mercado laboral, após três cortes consecutivos nas taxas no final de 2025. Para já, os investidores não prevêem outro corte nas taxas antes do arranque do segundo semestre de 2026.

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