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Fed sobe juros pela primeira vez em mais de três anos

A Reserva Federal norte-americana subiu, como se esperava, a taxa diretora em 25 pontos base.

Jerome Powell, presidente da Fed, divulga esta quarta-feira as conclusões da        reunião de política monetária.
Shawn Thew/Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 16 de Março de 2022 às 18:00
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O banco central dos EUA anunciou uma subida de 25 pontos base da taxa dos fundos federais, que passa assim para um intervalo entre 0,25% e 0,50%. Tratou-se do primeiro aumento desde dezembro de 2018.

 

Entretanto, o "dot plot" – um mapa que mostra como cada representante do banco central estima as mexidas nos juros diretores – aponta para uma subida dos juros diretores em todas as restantes reuniões deste ano da Fed. O que significa mais seis aumentos, atendendo a que a Fed tem mais seis reuniões até ao final do ano: em maio, junho, julho, setembro, novembro e dezembro.

Se a taxa diretora aumentar 25 pontos base em todas as vezes, estará entre 1,75% e 2% no final deste ano.

 

Já em janeiro passado, o presidente da Fed, Jerome Powell, tinha afirmado que não descartava um aumento das taxas em todas as reuniões do Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), o que foi uma reviravolta face a tudo o que tinha sido sinalizado até então. Hoje, disse que o banco central pode "andar ainda mais depressa", se isso se revelar o mais adequado.


A Fed também atualizou as suas projeções económicas e antecipa que a inflação atinja 4,3% em finais de 2022, contra 7,9% em fevereiro (quando se manteve em máximos de 40 anos). Será, assim, a subida de juros a ter os seus efeitos.

 

Os investidores têm mostrado receios de uma recessão nos EUA. A esse propósito, Powell disse que a probabilidade de uma recessão no próximo ano "não é particularmente elevada", mas os obrigacionistas não partilham do mesmo otimismo e os juros da dívida dos EUA a cinco anos (2,23%) estão agora acima das "yields" das obrigações do Tesouro a dez anos (2,22%). 

 

Sobre o mercado de trabalho, Powell declarou que continua ainda "extremamente apertado", num nível pouco saudável.

O presidente da Fed aludiu também ao balanço do banco central, tendo sublinhado que é altura de começar a reduzi-lo, apontando o arranque para maio.

Quanto ao crescimento da economia, Powell considera que a guerra na Ucrânia irá levar a uma desaceleração, prevendo agora que o PIB cresça 2,8%, quando em dezembro projetava 4%.

O sobe-e-desce dos últimos anos nos juros diretores

 

Depois de cerca de sete anos sem mexer nos juros (tinha-os cortado em dezembro de 2008), que se mantiveram em mínimos históricos entre 0% e 0,25%, a Reserva Federal elevou nove vezes os juros entre finais de 2015 e dezembro de 2018.

 

A Fed procedeu ao primeiro aumento (de 25 pontos base) em dezembro de 2015 e posteriormente voltou a incrementar em 25 pontos base a taxa diretora em dezembro de 2016. Seguiram-se mais três subidas de 25 pontos base em 2017 e mais quatro aumentos em 2018.

 

Entretanto, em julho de 2019 procedeu ao primeiro corte desde dezembro de 2008. Ou seja, 10 anos e meio depois, regressou a uma política de estímulos à economia, num momento de desaceleração. Powell tinha declarado que esse corte de 25 pontos base da taxa dos fundos federais em julho não seria o início de um longo ciclo de descidas. Mas em setembro desse ano voltou a descer os juros diretores e voltou a fazê-lo na reunião de política monetária de outubro - altura em que regressou a um intervalo entre 0% e 0,25%. E assim tinha ficado até agora.

(notícia atualizada às 19:24)

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