Política Monetária Fed raramente sobe juros quando as bolsas estão com desempenho tão mau

Fed raramente sobe juros quando as bolsas estão com desempenho tão mau

O presidente Donald Trump intimida, mas é raro a Reserva Federal subir os juros quando o mercado bolsista está a ter um desempenho tão mau.
Bloomberg 19 de dezembro de 2018 às 14:00

Se as autoridades fizerem o que se espera e elevarem a taxa de juro esta quarta-feira, será o primeiro aperto da política monetária num ambiente tão brutal desde 1994. O S&P500 acumula perdas nos últimos três, seis e 12 meses. Em apenas dois dos 76 acréscimos de juros desde 1980 a situação estava tão má.

 

Não há previsão para o comportamento das acções após uma década de dinheiro fácil e subidas sem precedentes das bolsas. O quadro actual também reflecte a discrepância entre mercados e economia real.

 

Metade dos membros do S&P 500 perdeu mais de 20% e sectores como a banca e transporte registam quedas atrás de quedas. No entanto, os dados económicos importantes justificam a expectativa de aperto monetário e os investidores estarão de olho em qualquer comentário sobre estabilidade financeira ou dos mercados para entender até que ponto a volatilidade preocupa o banco central.

 

"É um dilema interessante para a Fed", afirmou David Rosenberg, economista-chefe e estratega da Gluskin Sheff + Associates. "Os mercados financeiros dizem que chega, mas os dados económicos sugerem que ainda é adequado um aperto adicional."

 

O papel que a Fed atribui aos mercados quando toma decisões é um assunto de infinitos debates, mas o facto é que desde 1980 as subidas de juros geralmente coincidem com períodos de pujança nas bolsas. Quando foram implementados apertos, o S&P500 acumulou, em média, ganhos de 4,1%, 6,9% e 11% nos três, seis e 12 meses anteriores. A excepção foi a década de 1970, quando a Fed ignorava o tumulto nos mercados porque a inflação anual rodava os 7%.

 

O quadro actual é bem diferente. A inflação ficou abaixo de 3% nos últimos seis anos e o crescimento económico está próximo de 3,5%, o que não configura superaquecimento. A preocupação com a economia parece estar por trás do recuo dos mercados e a palavra recessão tem aparecido mais frequentemente em análises especializadas.

 

Na segunda-feira, o S&P 500 caiu 2,1% e fechou no valor mais baixo desde Outubro de 2017.

 

Um relatório divulgado pela Fed caracterizou a preocupação com a estabilidade financeira como moderada, citando imóveis comerciais, dívidas corporativas e empréstimos alavancados como potenciais problemas. No entanto, o movimento que sugou 3 biliões de dólares das bolsas americanas leva muita gente a pedir que a Fed faça uma pausa.

 

Será que as acções reflectem o que os dados ainda não capturam? Alguns estrategas acreditam nisto, convencidos de que oito subidas de juros em três anos bastam para uma economia ameaçada pelo conflito comercial com a China, a desaceleração do crescimento global e até a saída do Reino Unido da União Europeia.

 

A Fed encerra uma reunião de dois dias com o anúncio da decisão de política monetária esta quarta-feira, 19 de Dezembro. Entre 89 economistas consultados pela Bloomberg, apenas dois não esperam uma subida de juros.

 

"A Fed precisa de ter uma postura mais branda para evitar decepcionar os mercados financeiros", salientou Mark Haefele, director de investimentos da UBS Global Wealth Management. "Um aumento de juros parece provável, mas sinais de flexibilidade por parte da Fed fizeram com que os mercados criassem uma expectativa de ritmo menor de aperto em 2019."

(Texto original: Fed Hikes Are Extremely Rare When Stocks Are This Beaten Up)




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