Política Barroso defende-se de "acusações infundadas e totalmente imerecidas"

Barroso defende-se de "acusações infundadas e totalmente imerecidas"

As acusações que têm sido feitas em Bruxelas são discriminatórias para Durão Barroso e para o Goldman Sachs - é esta a argumentação do antigo primeiro-ministro português à avaliação ética sobre o seu novo emprego.
Barroso defende-se de "acusações infundadas e totalmente imerecidas"
Sérgio Lemos
Diogo Cavaleiro 13 de setembro de 2016 às 15:06

"Estas acusações são infundadas e totalmente imerecidas". É assim que, cita o Financial Times, Durão Barroso reage às dúvidas sobre a sua contratação pelo Goldman Sachs numa carta dirigida a Jean-Claude Juncker, o seu sucessor na presidência da Comissão Europeia. 

 

Esta semana, foi noticiado que a Comissão Europeia vai averiguar, na comissão de ética, a sua passagem a presidente da Goldman Sachs International e que, a partir de agora, Juncker pediu aos serviços que tratem o português como um qualquer lobista, representante dos interesses, neste caso, do banco de investimento. Barroso não gostou. Daí a missiva.

 

O ex-primeiro-ministro português teme que já haja uma decisão relativa ao seu novo cargo profissional ainda mesmo antes da análise do comité de ética: "Tenho dúvidas se a decisão sobre a minha situação já foi tomada". "Não só estas acções são discriminatórias como parecem ser inconsistentes com as decisões tomadas em relação a outros antigos membros da Comissão", continua a carta, citada pelo Financial Times.

 

Segundo as regras comunitárias, um antigo membro do braço executivo da União Europeia tem um período de nojo de 18 meses antes de aceitar um novo emprego. Durão Barroso, que presidiu a Comissão Europeia entre 2004 e 2014, diz ter demorado 20 meses a fazê-lo, como relembra o FT. "Respeito a opinião de cada um, as regras são claras e têm de ser respeitadas", sublinha na carta.


Segundo Barroso, as alegações que estão em cima da mesa, como a petição com mais de 140 mil assinaturas que pede uma análise e a retirada da sua pensão e as considerações feitas pelo Observatório Europeu Corporativo, são "são discriminatórias": "discriminatórias em relação a mim e em relação ao Goldman Sachs".

 

Foi a 8 de Julho que José Manuel Durão Barroso foi nomeado presidente do conselho de administração do Goldman Sachs International, além de conselheiro do grupo Goldman Sachs. Esta semana, a provedora de justiça europeia pediu esclarecimentos a Juncker sobre esta situação. Foi nesse sentido que Juncker pediu a análise de uma comissão de ética, pedindo a Barroso uma carta sobre as "novas responsabilidades e os termos de referência do contrato". 

 

 


(Notícia actualizada às 15:28 com mais informações; parágrafo sobre o período de nojo rectificado às 13:48)




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