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Presidente do Parlamento Europeu estranha ida de Barroso para o Goldman Sachs

Martin Schulz considera que seria aceitável se Durão Barroso se dedicasse à escrita ou à carreira académica. E defende mudanças nas regras para os antigos líderes comunitários.

Durão Barroso e Jean-Claude Juncker
Durão Barroso e Jean-Claude Juncker François Lenoir/Reuters
14 de Setembro de 2016 às 10:25

O presidente do Parlamento Europeu estranha a ida de Durão Barroso para o Goldman Sachs. E defende mudanças no código de conduta para antigos líderes comunitários.

 

"Devemos adaptar o código de conduta para tornar claro o que os antigos presidentes da Comissão Europeia e comissários podem fazer", disse Martin Schulz ao jornal alemão Die Welt esta quarta-feira, 14 de Setembro, citado pela Reuters.

 

Sublinhou assim que as actuais regras de ética da União Europeia "não são suficientemente claras". E defendeu que o presidente da Comissão Europeia "tomou a decisão certa" ao pedir ao comité de ética para se debruçar sobre este caso.

Martin Schulz estranhou a escolha profissional de Durão Barroso após ter sido líder da Comissão Europeia durante 10 anos. "É normal que um antigo presidente da Comissão Europeia esteja à procura de emprego", começou por dizer.

"Ninguém está contra que ele escreva livros ou ensine na universidade. Mas é estranho que Barroso queira aconselhar o maior banco de investimento mundial em relação ao Brexit".

Uma carta de Durão Barroso a Jean-Claude Juncker foi tornada pública na terça-feira. Nela, o português considera que as acusações contra si são "infundadas e totalmente imerecidas". E garante que não vai fazer lobby em nome do banco e que não vai aconselhar o banco em relação ao Brexit.

A missiva do ex-primeiro-ministro português foi escrita após o presidente da Comissão Europeia ter informado a provedora de Justiça europeia que tinha pedido a Barroso para "clarificar as suas responsabilidades" no banco norte-americano. Isto no seguimento do pedido de Emily O'Reilly a Juncker para ele próprio clarificar a posição da Comissão sobre essa função.

As notícias vindas a público davam conta que Durão Barroso iria aconselhar o Goldman Sachs sobre a decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia. Isto levou a provedora europeia a perguntar se Bruxelas vai dar instruções específicas à equipa que vai negociar o Brexit sobre como lidar com pedidos vindos do antigo presidente, segundo a carta a que o jornal Expresso teve acesso.

Por isso, Juncker deu instruções ao secretário-geral da Comissão Europeia para enviar uma carta a Durão Barroso de forma a que o português esclareça qual o seu papel no banco.

Juncker deu também luz verde para a comissão de ética ir analisar as implicações da nova carreira de Durão Barroso, decisão que mereceu o apoio público por parte do presidente francês, François Hollande.

Ao mesmo tempo, o político português vai também deixar de ser recebido pelos líderes e instituições europeias como antigo presidente da Comissão Europeia.

Jean-Claude Juncker deu instruções ao seu gabinete para tratar Durão Barroso como qualquer outro lobista, passando a ser recebido como um "representante de interesses". Isto implica que qualquer contacto de Durão Barroso com comissários ou membros comunitários terá de ser registado.

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