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Câmara dos Representantes aprova destituição de Trump com apoio de 10 republicanos

A câmara baixa do Congresso norte-americano aprovou o "impeachment" de Donald Trump. Agora a resolução segue para o Senado.

Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 13 de Janeiro de 2021 às 21:28
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Donald Trump deverá ceder a presidência dos EUA a Joe Biden no próximo 20 de janeiro, dia da tomada de posse do novo residente da Casa Branca. Mas, atendendo ao violento ataque ao Capitólio na semana passada, por apoiantes de Trump "incitados à insurreição" pelo presidente, a Câmara dos Representantes avançou com uma proposta de destituição do republicano.

 

A proposta foi hoje votada na câmara baixa do Congresso, de maioria democrata, e passou com 232 votos a favor, com a ajuda também de 10 republicanos que não se revêem na atitude de Trump, e 197 contra.

A resolução do "impeachment" de hoje tornou Trump o primeiro presidente da história dos Estados Unidos com duas votações de destituição.

Este processo de destituição é diferente daquele que se observou em finais de 2019 devido à investigação sobre a Ucrânia, nomeadamente porque a votação no Senado deverá ocorrer já depois de Trump ter cedido o poder a Biden.

 

Resta agora saber se também haver luz verde no Senado, que ainda é de maioria republicana – mas a partir de 20 de janeiro os democratas recuperam o controlo da câmara alta, depois de na semana passada o Colégio Eleitoral ter confirmado a eleição de mais dois senadores democratas, dividindo a câmara em 50-50. Aqui, a vice-presidente, Kamala Harris, terá direito de voto para desfazer empates, daí que se fale na "onda azul" (democratas a ficarem com Casa Branca e com as duas câmaras do Congresso).

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, concorda em votar a destituição de Trump, mas não o quer fazer antes de dia 20. Isso significa que a votação na câmara alta acontecerá já com Biden no poder e com os democratas com mais peso.

 

Uma destituição de Trump na Câmara dos Representantes não o retira imediatamente de funções. Nem uma segunda votação de "impeachment" na ‘House’ nem sequer a luz verde no Senado para condenar Trump e retirá-lo de funções o impediriam de se candidatar de novo – nas presidenciais de 2024 e nas seguintes, explica a CNN.

 

Para que isso acontecesse, depois de dois terços dos senadores presentes votarem para retirar Trump, passar-se-ia a outra fase: uma maioria simples dos senadores presentes teria de aprovar uma votação adicional para o impedir de ser candidato à presidência no futuro.

 

Ser impedido de voltar a concorrer à presidência também custaria a Trump mais de 200.000 dólares de pensão por ano se o Senado quiser ir por esse caminho.

 

Recorde-se que a invasão ao Capitólio, que alberga os edifícios do Congresso, provocou cinco mortos e vários feridos.

 

Depois deste episódio, muitas empresas norte-americanas têm estado a suspender os seus donativos aos republicanos que tentaram impedir ou paralisar a confirmação da eleição de Joe Biden como 46.º presidente do país.

Trump condena violência e não comenta destituição

 

Trump divulgou entretanto uma mensagem em vídeo, onde não comenta este seu segundo "impeachment", tendo optado por apelar à paz e defendido que quem invadiu o Capitólio na semana passada não são os seus "verdadeiros" apoiantes.

 

"A violência de rua vai contra tudo aquilo em que acredito e em tudo aquilo que o nosso movimento defende. Nenhum verdadeiro apoiante meu poderia apoiar a violência política. Nenhum verdadeiro apoiante meu poderia desrespeitar o cumprimento da lei ou da nossa grande bandeira americana. Nenhum verdadeiro apoiante meu poderia alguma vez ameaçar ou assediar os seus compatriotas. Se algum de vocês o fizer, não estará a apoiar o nosso movimento – estará a atacá-lo. Estará a atacar o nosso país. Não podemos tolerar isso", declarou.

 

Esta mensagem, sublinha a CNN, contrasta com as suas primeiras observações sobre os tumultos no Capitólio, quando disse num vídeo "nós amamo-vos" e "vocês são especiais".

 

No vídeo desta noite, Trump também se referiu a um "ataque sem precedentes" à liberdade de expressão, aludindo às redes sociais Twitter e Facebook, que suspenderam as contas do presidente.

(notícia atualizada pela última vez às 23:49)




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