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Carlos Silva vai avaliar se continua à frente da UGT

O objectivo da reunião marcada para dia 23 é analisar a coesão da UGT e retirar ilações sobre a sua função de secretário-geral, justifica Carlos Silva ao Negócios.

Miguel Baltazar/Negócios
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O secretário-geral da UGT justifica a reunião interna marcada de surpresa para dia 23 com a necessidade de avaliar a coesão da central sindical, bem como o seu cargo, segundo disse Carlos Silva ao Negócios.

Questionado sobre se a convocatória do secretariado nacional extraordinário marcado para dia 23 está relacionada com as polémicas afirmações que marcaram esta segunda-feira, Carlos Silva respondeu que sim.

 

O objectivo é "analisar as consequências que eventualmente sejam negativas para a coesão e unidade internas da UGT". "A mim cabe-me zelar por isso. E retirar nesse dia as devidas ilações que se apurarem no seio do colectivo, incluindo a minha função como secretário-geral", disse ao Negócios.

 

Ao final da tarde, o secretário-geral da UGT marcou uma reunião extraordinária do secretariado nacional para o próximo dia 23, tal como o Negócios noticiou.

 

A convocatória, a que o Negócios teve acesso, tem como ponto único da ordem de trabalhos a "análise da situação política nacional e politico-sindical da UGT".

 

A iniciativa surge num final de um dia marcado pelas declarações de Carlos Silva contra um entendimento entre o PS e os partidos à esquerda e pelos vários esclarecimentos emitidos tanto pela UGT como pela tendência sindical socialista da Febase (a Federação dos Sindicatos do Sector Financeiro, que agrega os sindicatos dos bancários), que procuraram sublinhar que esta opinião não vincula a central sindical.

 

"Não me parece que efectivamente as forças à esquerda do PS dêem na minha opinião a garantia de estabilidade em relação ao futuro. Há dúvidas. E portanto o PS só conseguirá fazer maioria se tiver maioria na Assembleia quer do PCP quer do BE. É uma maioria instável que na minha opinião não dará garantias que no futuro a governabilidade seja assegurada por quatro anos", afirmou o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, em entrevista ao Diário Económico e à Antena 1. "Ficaremos mais tranquilos se efectivamente a posição do Partido Socialista for a de encontrar um compromisso com o Partido Social-Democrata e com o CDS", disse também, na mesma entrevista.

 

As reacções à posição de Carlos Silva levaram a UGT a emitir um comunicado, ao início da tarde, que esclarece "que a opinião expressa apenas vincula a pessoa do Secretário-geral da UGT e não uma posição da Central ratificada nos seus órgãos sociais". "Isto já faz mais sentido", reagiu João Galamba, do PS, no Facebook. "Um esclarecimento bem-vindo", acrescentou Porfírio Silva.

 

Mais tarde, Carlos Silva explicou ao Negócios que o comunicado emitido pelo gabinete de imprensa da UGT foi iniciativa sua. "Entendi, para evitar especulações, emitir via gabinete de imprensa da UGT a minha posição", disse, assumindo "inteira responsabilidade pela sua opinião", que afirma que não foi debatida na UGT.

Rui Riso, presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, um dos sindicatos com maior peso na UGT, também considerou o esclarecimento oportuno. Sublinhando que (pelo menos em algumas declarações) Carlos Silva afirmou que se tratava da sua opinião pessoal, Riso afirmou ao Negócios que ao longo da manhã houve episódios de "aproveitamento" das declarações do secretário-geral.

 

"Não me revejo na interpretação alargada de apoio a um governo, qualquer que seja. Para mim, enquanto sindicalista, o importante é a concretização da política reivindicativa aprovada no secretariado nacional", no passado dia 6 de Outubro, disse.

 

Até porque "existe uma diversidade de opiniões na UGT", que congrega maioritariamente socialistas, social-democratas, mas que pode até ter membros do Bloco de Esquerda ou do PCP com presença no secretariado nacional, acrescentou Rui Riso.

O comunicado da UGT não foi o único. Também a Tendência Sindical Socialista (TSS) da FEBASE veio esclarecer em comunicado que Carlos Silva emitiu apenas "a sua opinião". "A TSS considera abusivas as interpretações alargadas sobre este assunto publicadas avulsamente, algumas subscritas por elementos de órgãos sociais da Central Sindical", acrescenta o documento.

 

A proposta reivindicativa da UGT foi aprovada na semana passada. Mas enquanto o documento defende a eliminação (total) dos cortes salariais da Função Pública, Carlos Silva acabou por explicar aos jornalistas que está aberto a negociar a aplicação de cortes em 2016, não admitindo, no entanto, que se agravem.

 

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