Política Marcelo: Portugal não pode “minimizar cansaço, corrupções, falências na justiça”

Marcelo: Portugal não pode “minimizar cansaço, corrupções, falências na justiça”

O Presidente da República aproveitou o discurso do 10 de junho para chamar a atenção para os “portugais esquecidos” e para enaltecer as qualidades do país ainda que sem tentações para “apagar os erros”. “Todos têm direito a um futuro melhor”, “mais justo, mais solidário, mais humano, do que o passado que honramos”, rematou.
Marcelo: Portugal não pode “minimizar cansaço, corrupções, falências na justiça”
Lusa
Filomena Lança 10 de junho de 2019 às 12:35

Marcelo Rebelo de Sousa apelou esta segunda-feira à necessidade de "acordar para os portugais esquecidos" do interior do país e ao "valor de um compromisso acrescido para estes portugueses e portuguesas que não renunciam a ser cidadãos de primeira, tão de primeira como os que nasceram nas metrópoles onde mais depressa têm as suas sedes os poderes públicos". O Presidente da República discursava em Portalegre, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades portuguesas, e assentou a tónica das suas palavras na importância de um Portugal mais justo, mas no qual não sejam esquecidos os erros do passado. "Quando somos muito bons, somos dos melhores dos melhores", mas "não podemos apagar os erros" nem "minimizar cansaço, corrupções, falências na justiça", exigindo sempre "maior seriedade".

 

Marcelo falava na presença do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, do primeiro-ministro, António Costa, e do Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca. As comemorações do Dia de Portugal realizam-se este ano entre a cidade de Portalegre, no Alentejo, e o arquipélago de Cabo Verde, seguindo o modelo de dupla celebração instituído a partir de 2016: primeiro em território nacional e depois no estrangeiro.

 

A passagem por Portalegre, sublinhou Marcelo, "tem de ser mais do que um rito de passagem, um rito de ocasião, tem de ser um compromisso de futuro para com esta terra e com esta gente". Por outro lado, "a cidade da Praia e o Mindelo simbolizarão todas as cidades, vilas, aldeias, lugares, em que por todo o mundo haja portuguesas e portugueses", porque "neste dia, mais do que nunca, somos todos Portugal".

 

O Presidente aproveitou para evidenciar as qualidades lusas – "Quando somos muito bons, somos dos melhores dos melhores. Cá dentro, todos os dias, aos milhões, lá fora todos os dias, aos milhões" –, mas deixou também um alerta: "Não podemos apagar os erros antigos, não podemos nem devemos esquecer ou minimizar cansaço, corrupções, falências na justiça, exigências constantes de maior seriedade".

 

Momentos antes, no discurso que abriu as comemorações, João Miguel Tavares, o jornalista e comentador natural de Portalegre escolhido para presidir à comissão organizadora tecera já críticas à política, à corrupção, à ideia de que mais vale emigrar. "Precisamos de sentir que contamos para alguma coisa, além de pagar impostos", frisou, defendendo que

o que "se pede aos políticos, de esquerda ou direita, é que nos dêem qualquer coisa em que acreditar".

 

O presidente não passou ao lado dos problemas, mas concentrou-se sobretudo em evidenciar as qualidades dos portugueses. "Que ao menos no dia de Portugal admitamos também que somos, do mais próximo ao mais distante, muito mais do que fragilidades ou erros e é por isso que temos a nossa história de quase 900 anos, uma comunidade das mais inclusivas e coesa apesar das nossas desigualdades e o mérito que os outros nos reconhecem, mesmo quando hesitamos em o reconhecer".

 

"Todos têm direito a um futuro melhor, que seja mais justo, mais solidário, mais humano, do que o passado que honramos. E vai ser, porque eu acredito, nós acreditamos em Portugal", rematou Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Comemorações entre Portugal e Cabo Verde

A cerimónia arrancou pouco antes das 11 da manhã, com o hino nacional, tocado pela Banda da Armada, seguido de uma salva de 21 tiros. Marcelo passou então revista às tropas em parada, num jipe do exército. No desfile militar esteve também presente uma representação cabo-verdiana a participar juntamente com as Forças Armadas Portuguesas. Às tradicionais honras militares somou-se uma homenagem aos mortos em combate.

Marcelo está em Portalegre desde domingo, 9 de junho, dia em que se procedeu ao içar da bandeira nacional, no centro da cidade. Aproveitou essa ocasião para salientar que o 10 de Junho é em primeiro lugar uma efeméride que celebra "o culto da pátria", frisando, citado pela Lusa, que o país cultiva o seu passado, mas é um projeto virado para o futuro.

Em 2016 as comemorações ocorreram em França, no ano seguinte no Brasil e em 2018 Marcelo deslocou-se aos Estados Unidos. Ainda hoje, Marcelo Rebelo de Sousa viajará para a cidade da Praia com o primeiro-ministro, António Costa, e com o presidente de Cabo Verde, onde falará perante representantes da comunidade portuguesa neste país, que é composta, no total, por cerca de 21 mil pessoas, dispersas por várias ilhas cabo-verdianas.

 

No seu discurso, o Presidente dirigiu-se diretamente aos cabo verdianos, saudando "efusivamente o atual presidente dessa comunidade, o Chefe de Estado de uma nação que pelo mundo tanta diáspora e fraternidade connosco partilha".

 

Em Cabo Verde, as comemorações terão lugar na cidade da Praia, na ilha de Santiago, e no Mindelo, na ilha de São Vicente. Estarão também presentes, além de Marcelo e António Costa, os ministros da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, e os deputados Feliciano Barreiras Duarte, do PSD, Carlos Pereira, do PS, Maria Manuel Rola, do BE, Pedro Mota Soares, do CDS-PP, e João Dias, do PCP.




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