Política Novo referendo paira no horizonte catalão. Madrid ridiculariza esse cenário

Novo referendo paira no horizonte catalão. Madrid ridiculariza esse cenário

Ao quarto dia de violência, o presidente da Catalunha Quim Torra veio apelar à “desobediência civil” e pôs a hipótese de um novo referendo para a independência da região em cima da mesa. Para já, Madrid descarta a hipótese.
Gonçalo Almeida 17 de outubro de 2019 às 16:40

O parlamento catalão reuniu-se hoje de forma extraordinária para tentar pôr término à crise catalã, que paira nas ruas desde segunda-feira, altura em que os 12 dirigentes independentistas foram condenados pelo Supremo Tribunal de Espanha a até 13 anos de prisão. Para amanhã está marcada uma greve geral na região.

Na parte da manhã, Quim Torra, presidente da Generalitat, disse que iria "defender que, até ao final desta legislatura, se volte a exercer o direito de autodeterminação". Esta é uma nova afronta a Pedro Sánchez, líder do governo espanhol, e ao Tribunal Constitucional que partilhou um apelo para que não se promovesse a separação.

"Nenhum tribunal impedirá que este presidente continue a impulsionar iniciativas sobre o direito à autodeterminação", afirmou Torra no Parlamento catalão, apelando à contenção aos Mossos d’Esquarda, polícia catalã, no quarto dia de violência nas ruas da Catalunha.

Surpreendida com as afirmações do líder do governo regional, a oposição pediu a sua demissão no parlamento, afirmando que Torra se tratava de um "perigo público para o país".

De Madrid, vários membros do Governo de Espanha vieram ridicularizar as palavras de Quim Torra. A vice-presidente do Governo, em declarações à estação de televisão Antena 3, disse que o líder da Generalitat tem uma "fantasia da independentismo na cabeça", enquanto o ministro do Interior de Espanha, Fernando Grande-Marlaska, disse que "é preciso recordar a Torra se quer ser o presidente de todos os catalães ou um ativista".

A Catalunha é uma região semi autónoma com cerca de 7,5 milhões de habitantes, com parlamento, língua e bandeira próprias. Uma sondagem de julho mostrou que o apoio a uma secessão era o mais baixo nos últimos dois anos, com 48,3% dos inquiridos contra e 44% a favor.

Ontem, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse que não punha de parte "qualquer cenário na Catalunha", mas afastou a hipótese de aplicar o artigo 155.º referente à Constituição espanhola que determina a suspensão da autonomia da região.

A oposição veio criticar a postura de Sánchez, com o líder do Ciudadanos, Albert Rivera, a afirmar que o "Governo está paralisado e não toma decisões".

O ministro do Interior, Marlaska, disse que foram contados 194 agentes feridos desde segunda-feira.

Vários países têm alertado os seus cidadãos para evitarem viajar para a Catalunha neste momento. O Governo português enviou uma nota a aconselhar os portugueses que pretendam viajar para a região para planearem bem o seu itinerário, devido aos protestos.

 




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