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Rio rejeita crise só da direita e garante que Marcelo também não pensa bem assim

Depois de ser recebido pelo Presidente da República, o líder do PSD recusa a ideia de uma crise circunscrita à direita e garante que o próprio Marcelo também não tem essa opinião. Rui Rio diz que mau resultado nas europeias tem culpas "repartidas".  

Lusa
David Santiago dsantiago@negocios.pt 06 de Junho de 2019 às 13:00
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Afinal a distância que separa Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa na análise ao momento que atravessa a direita portuguesa não é assim tão grande. Foi essa a garantia deixada pelo líder do PSD à saída do encontro com o Presidente da República que decorreu na manhã desta quinta-feira, 6 de junho, em Belém.

"Se dissermos que há uma crise na direita, ponto final, essa não é a minha leitura, mas também não foi exatamente isso que ouvi o Presidente dizer", disse Rio aos jornalistas no final da reunião com Marcelo em que assumiu ter conversado com o Presidente sobre o assunto. "Aquilo que é a nossa leitura também não é assim tão distante daquilo que é a leitura do Presidente da República", acrescentou.

Esta declaração parece indiciar que Rio e Marcelo não estarão tão distantes quanto as afirmações de Rio, feitas no fim de semana, fariam crer.

Depois de Marcelo ter defendido que, à luz dos últimos resultados eleitorais, em particular das europeias de 26 de maio, "há uma forte possibilidade de haver uma crise na direita portuguesa nos próximos anos", retratou a opinião presidencial como portadora de uma visão "otimista" e "superficial".

Recuperando a argumentação já utilizada no passado sábado sobre o assunto, Rui Rio mantém que aquilo que existe é uma crise mais abrangente, que toca todos os quadrantes políticos e não só, pelo que configura uma crise mais ampla.

O presidente social-democrata retoma ainda a crítica ao funcionamento do sistema judicial no retrato que faz dessa crise de regime. "Se dissermos que há uma crise no sistema político, mais vasta ainda, uma crise no regime, então há seguramente na direita com há também na esquerda e no sistema de justiça, por exemplo".

Trata-se de uma "crise do regime que incide sobre o sistema político", conclui.

A mostrar o descontentamento sentido no seio dos sociais-democratas, esta quarta-feira, na TSF, o vice-presidente do PSD, David Justino, acusou Marcelo de invocar uma crise da direita como pretexto para uma recandidatura a Belém.

Num artigo de análise, o Expresso escrevia esta semana que dada a perspetiva de novo reforço eleitoral do PS nas legislativas e aprofundamento da crise da direita, Marcelo considera ser necessário um presidente de centro-direita para garantir o equilíbrio de poderes.

Rio fala em "culpa repartida" na derrota das europeias


O antigo autarca portuense foi depois questionado sobre a notícia de ontem do Expresso que, citando fontes sociais-democratas presentes na reunião com as distritais sociais-democratas, adiantava que Rui Rio havia justifica o pior resultado de sempre do PSD em eleições nacionais (21,9% nas europeias) à guerrilha interna permanente no partico, à estratégia demasiado violenta contra o Governo utilizada pelo candidato Paulo Rangel e aos jornalistas pela forma como trataram a crise dos professores.


"A reunião das distritais é uma reunião fechada. Não é para as conclusões virem a público. Aquilo que veio a público é 50% verdade e 50% mentira. Quem passou a mentira tinha interesse em que ela passasse assim", justificou. Quanto à responsabilidade pelo mau resultado eleitoral de 26 de maio, Rio assume a sua parte: "A culpa é repartida e a minha também lá está". 

Admitindo o mau resultado do PSD, Rio sustentou que os 33,4% obtidos pelo PS apesar de representarem uma vitória dos socialistas não são uma grande vitória, antes uma "vitória por 'poucochinho'".

Rio revelou ainda ter feito junto a Marcelo uma "análise à situação do país", realçando que a preocupação se centra sobretudo na "situação em que se encontram os serviços públicos".

Após criticar a degradação do Serviço Nacional de Saúde, a demora da Segurança Social para atribuir pensões de reforma ou o estado no setor dos transportes, o presidente "laranja" notou que nem na economia vai tudo bem, desde logo a evolução da balança de pagamentos que "está-se a degradar - estamos outra vez a importar mais do que estamos a exportar".


(Notícia atualizada às 13:15)

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