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Rui Moreira: "O português tem mais respeito pela Constituição do que pela Bíblia"

O presidente da Câmara do Porto é o convidado de mais um episódio do podcast Conversas Visíveis. Moreira olha para o "país político" sem pudor e conclui que Portugal continua a viver num "profundo centrão".

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Negócios jng@negocios.pt 13 de Outubro de 2021 às 12:55
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O presidente da Câmara do Porto rejeita a ideia de que exista em Portugal uma polarização entre esquerda e direita. Para Rui Moreira, o país continua mergulhado num "profundo centrão", posição para onde entrou após o 25 de novembro de 1975 e do qual ainda não saiu.

No podcast "Conversas Visíveis", o autarca ironiza com o facto de o português ter "mais respeito pela Constituição do que pela Bíblia".

"Quando olhamos para o que se passa em Portugal, não creio que haja verdadeiramente uma polarização esquerda/direita. É certo que surgiu o Chega, o BE ganhou contornos um pouco diferentes do que tinha, mas a razão porque são visíveis é porque são claramente populistas. Nós temos uma esquerda populista e uma direita populista e isso tem um grande eco na comunicação social, que lhes dá um relevo provavelmente não justificado pelo seu peso eleitoral", afirmou Rui Moreira numa conversa conduzida por Álvaro nascimento e Jorge Marrão, dois dos colunistas da Mão Visível.

Para Rui Moreira, "o país vive num profundo centrão" em que o próprio Chega critica o Estado social por ser pesado mas não contesta a ideia de contratação de mais enfermeiros ou professores. "No fundo o país vive num profundo centrão que foi criado e que surge em finais de 1975. E continuamos a ser os filhos do 25 de novembro."

O presidente da Câmara do Porto olha para Mário Soares como "a figura que talvez tenha permitido que o centrão perdurasse por tanto tempo", sinalizando que "como em qualquer sistema, família ou sociedade, ao fim de tantos anos" esse centrão "começa a perder a capacidade de autocrítica".

Daí que, frisa neste episódio das Conversas Visíveis, a Constituição se tenha transformado "numa coisa mais ou menos indiscutível". "O português tenha mais respeito pela Constituição do que pela Bíblia", brincou.

Poderá ouvir a conversa na íntegra, a partir de quinta-feira, no site do Jornal de Negócios ou nas plataformas Spotify e Apple. Para os assinantes premium, a entrevista ficará também disponível em formato de vídeo. 


O que são as Conversas Visíveis?

As Conversas Visíveis são um novo projeto que é complementar da Mão Visível, o espaço de opinião que junta Álvaro Nascimento, António Nogueira Leite, Joaquim Aguiar, Jorge Marrão e Paulo Carmona. A cada quinze dias, dois destes colunistas vão conduzir um entrevistado pelos "mistérios da estrada da democracia em Portugal".

 

As Conversas Visíveis procuram identificar o que está na sombra da política, o que se esconde nos discursos e nas decisões, mas que acabará sempre por se revelar na realidade efetiva das coisas. O compromisso assumido pela equipa da Mão Visível é o de que irá falar sobre as sombras e os mistérios da democracia portuguesa, onde se escondem os fatores que geram endividamento sem estimularem crescimento, onde se agravam as desigualdades sociais e onde persiste o crescimento da despesa pública e da expansão de funções do Estado.



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