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Ventura diz que Chega não viabiliza moção de confiança "nem que Cristo desça à terra"

"Acho que é momento de os portugueses mudarem de Governo", frisou André Ventura na Assembleia da República, depois de ter estado reunido com membros da Direção Nacional do partido e dirigentes distritais.

António Pedro Santos / Lusa
10 de Março de 2025 às 20:49

O líder do Chega considerou esta segunda-feira que as respostas do primeiro-ministro sobre a empresa Spinumviva são "absolutamente insuficientes" e indicou que o partido não mudará o voto contra a moção de confiança "nem que Cristo desça à terra".

"Acho que é momento de os portugueses mudarem de Governo", frisou André Ventura na Assembleia da República, depois de ter estado reunido com membros da Direção Nacional do partido e dirigentes distritais, minutos depois de terem sido conhecidas as respostas de Luís Montenegro às questões colocadas por Chega e BE sobre a sua empresa familiar.

O Chega vota contra a moção de confiança porque, "um, se mantêm suspeitas graves sobre o primeiro-ministro de Portugal, dois, que nós não podemos ter um primeiro-ministro sob suspeita de conduta grave, lesiva do erário público, mas sobretudo porque o primeiro-ministro e o Governo enredaram-se a eles próprios com a sua arrogância, com a sua falta de esclarecimento, com a sua forma de lidar com os outros partidos e com a imprensa e com o país livre, de uma forma tão arrogante, tão fechada e tão incapaz", justificou.

André Ventura considerou que as respostas enviadas pelo primeiro-ministro "são absolutamente insuficientes em relação ao esclarecimento que era exigível".

Questionado se alguma coisa ainda poderá fazer o Chega mudar o sentido de voto, o líder do Chega respondeu negativamente.

"Eu tenho sempre dificuldade em política em dizer o definitivo, porém eu usei uma expressão que eu acho que se pode aplicar neste caso. Face a estas circunstâncias, face às suspeitas que há sobre o primeiro-ministro, nem que Cristo desça à terra [...] eu acho que o Chega pode viabilizar esta moção de confiança. Com isto, eu já lhe estou a dizer que este cenário não vai acontecer", disse.

O presidente do Chega disse que a decisão de votar contra a moção de confiança "foi consensual, unânime em todo o grupo" de dirigentes do partido com quem esteve reunido hoje e considerou que o Governo "não merece a confiança política do Chega", porque não tem "conduzido bem os destinos de Portugal".

"O Chega tem a completa noção do momento político, tem a completa noção que o Governo procurou uma fuga para a frente, uma justificação para não dar explicações, para não dar esclarecimentos, uma espécie de tentativa última de sobrevivência, e o Chega não podia pactuar com esta tentativa última de sobrevivência, no sentido em que a democracia não pode servir como porta fundamental de princípio em alguns casos e como porta de destruição ou de escape em outros casos", disse o líder do Chega.

Quanto à entrevista que o primeiro-ministro dá hoje a uma televisão, considerou que Luís Montenegro já teve várias oportunidades para responder às questões colocadas pelos jornalistas e pela oposição.

"O primeiro-ministro teve toda a oportunidade de responder democraticamente antes de um ato dramático de uma moção de confiança. Agora, é só para criar mais alarme nas pessoas, no sentido de se vitimizar e dizer, estão a ver, eu até fui a uma entrevista um dia antes de uma moção de confiança, mas andamos há 15 dias a pedir esclarecimentos e esses esclarecimentos nunca vieram", sustentou.

Ventura considerou que a apresentação de uma moção de confiança, que será votada na terça-feira, "é um ato absolutamente irresponsável de um Governo que prefere atirar o país para a lama, para a crise, para a eleição, em vez de ter o seu primeiro-ministro a dar as respostas que têm que ser ditas".

"Acho que o país todo percebe que o primeiro-ministro não quer dar esclarecimentos e está a atirar o país para a crise por causa disso", salientou, defendendo que se Luís Montenegro "não compreende que este é o momento de sair, que este é o momento de ir embora e que já não tem condições para ser primeiro-ministro, então é porque prefere proteger-se pessoalmente do que salvar a dignidade de Portugal".

André Ventura defendeu igualmente que "tem de haver uma comissão de inquérito, independentemente de quem vence as eleições e do cenário que sai" das próximas legislativas.

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