Falhas no SNS fazem disparar gastos das famílias com saúde no privado
Estudo do CFP revela que os gastos das famílias portuguesas estão em níveis muito acima dos registados na maioria dos países europeus. Elevados tempos de espera, limitações na oferta e o peso crescente de custos suportados diretamente pelas famílias estão a fragilizar o SNS, alerta.
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As falhas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) estão a empurrar cada vez mais portugueses para o setor privado, agravando os gastos diretos das famílias com saúde, avança o Eco nesta quarta-feira, com base num estudo divulgado pelo Conselho das Finanças Públicas (CFP). Esses gastos das famílias estão em níveis muito acima dos registados na maioria dos países europeus.
O estudo, divulgado pelos economistas Ana Pinheiro e Jorge Braga Ferreira, revela que Portugal está a destacar negativamente no peso da saúde na despesa direta das famílias. Os chamados pagamentos out-of-pocket (que saem do próprio bolso) representam 37,5% da despesa total em saúde. Esse valor fica muito acima do registado em países como a Alemanha (13,3%), os Países Baixos (15,8%) ou a Suécia (14,0%).
Essa proporção "relativamente elevada das despesas suportadas pelas famílias" deve-se, "em larga medida", às "insuficiências na resposta do sistema público", referem os autores do estudo. Quando o SNS não consegue dar resposta em tempo útil, os utentes recorrem ao setor privado, pagando diretamente consultas, exames ou cirurgias. Os elevados tempos de espera, as limitações na oferta e o peso crescente de custos suportados diretamente pelas famílias estão a fragilizar o modelo do SNS, alertam.