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Ministro da Saúde não quer que greve dos médicos se repita

O ministro da Saúde disse esta quarta-feira que não pretende que a greve dos médicos se repita, sublinhando os efeitos adversos da paralisação nos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 09 de Julho de 2014 às 12:55

"Acho que a greve tem efeitos que não são benéficos. A greve não pode ser feita de ânimo leve", disse Paulo Macedo aos jornalistas, à margem de um acordo assinado esta quarta-feira, 9 de Julho, com a Associação Nacional de Farmácias (ANF).

 

Ainda sobre a greve dos médicos, que cumpre hoje o segundo dia, Paulo Macedo disse que "o Ministério não a minimiza, não pretende que se repita, porque quem foi prejudicado foram os utentes do SNS. As pessoas que foram ao privado e ao social foram todas atendidas e todas servidas".

 

"Não podemos fazer uma greve dizendo que se defende um SNS (...) e prejudicando os utentes do SNS", declarou o ministro.

 

Para que a greve não se repita, Paulo Macedo diz que pretende "continuar a trabalhar com os sindicatos, resolvendo problemas concretos", dando como exemplo os recentes concursos abertos para especialidades médicas, como o caso do concurso para cuidados intensivos, o primeiro aberto em Portugal.

 

Repetindo que não minimiza os efeitos da greve, o governante considerou, contudo, excessivo falar em números de adesão entre os 70 e os 90%.

 

"Aritmeticamente são impossíveis, porque não há greve no sector privado nem social, onde estão cerca de 40% dos médicos. As percentagens [de adesão] têm de ser, no sector público, na ordem das que aconteceram no passado à volta dos 27% ou 30%", afirmou Paulo Macedo aos jornalistas.

 

Num comunicado distribuído às redacções na terça-feira, o Ministério da Saúde escusou-se a dar informação sobre a adesão à greve, lembrando: "Os únicos dados rigorosos sobre a participação na paralisação são os que resultam do processamento salarial deste mês, pelo que se revela necessário aguardar alguns dias pelo apuramento a realizar por todos os serviços, hospitalares e outros".

 

A publicação do código de conduta ética, a que os médicos chamam "lei da rolha", a reforma hospitalar, o encerramento e desmantelamento de serviços, a falta de profissionais e de materiais e a atribuição de competências aos médicos, para as quais não estão habilitados são os principais motivos na base da convocação desta greve.

 

O protesto, que começou às 00h00 de terça-feira decorre até às 24h00 de hoje, foi convocado pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e conta com o apoio da Ordem, de várias associações do sector e também de pensionistas e doentes.

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