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Prémios Saúde Sustentável: As estratégias para a promoção da saúde

Em 1926, o médico diabetologista Ernesto Roma criava a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) para fornecer insulina às pessoas pobres com diabetes. Em 2021, 95 anos depois, era criado o portal de agendamento para vacinação contra a covid-19 para chegar mais depressa e a mais gente e assim se alcançar os 90% dos maiores de 25 anos vacinados. Se o poder da inovação tem uma história, esta também pode passar pela ficção para que a prevenção possa chegar a mais pessoas, ou pela diminuição da pegada ecológica. A campanha com farmácias, a série de televisão, o portal de agendamento de vacinas, o projeto para diminuir a pegada ecológica e uma instituição quase centenária no apoio aos diabéticos constituem os últimos cinco candidatos ao Prémio Saúde Sustentável.

Filipe S. Fernandes 12 de Outubro de 2021 às 15:39
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Projeto 11. A prevenção prática contra o cancro
Projeto 11. A prevenção prática contra o cancro
Categoria - Promoção da saúde e prevenção da doença
Projeto - Campanha de Sensibilização para o Cancro Colorretal (CCR)
Entidade - Go Far by Médis & Farmácias Portuguesas

"O cancro colorretal é um dos mais comuns e com maior mortalidade a nível mundial, e o segundo em prevalência em ambos os sexos. Aliás, durante o ano passado, em Portugal, foram diagnosticados mais de 10 mil casos, cerca de 28 por dia, e registadas mais de 4 mil mortes", sublinha Nuno Pereira dos Reis, gestor de projetos sénior na Go Far by Médis & Farmácias Portuguesas. Explica que com um diagnóstico precoce e a deteção numa fase inicial (estádio I), a taxa de sobrevivência do cancro intestinal é de 90%, descendo para 10% quando detetado num estádio avançado.

Esta campanha realizou-se entre 15 de março e 14 de abril de 2021, foi implementada em 292 farmácias, na sua maioria aderentes à rede de prestadores da Médis, e destinou-se a todas as pessoas com idades compreendidas entre os 50-74 anos, assintomáticos e sem outros fatores de risco.

As farmácias aderentes forneciam um kit para as análises e era disponibilizada informação sobre a doença, objetivo do teste, procedimento de recolha das amostras, significado dos resultados e os passos seguintes no caso de um resultado positivo.

Participaram cerca de 4.200 indivíduos, sendo 57% mulheres e 43% homens, com uma idade média de 61 anos. Das amostras analisadas 96% deram resultado negativo, e 4% (177 participantes) tiveram resultado positivo, a quem foi recomendada a marcação de uma consulta com o médico assistente, médico de família ou médico especialista.
Projeto 12. A ferramenta para a vacinação contra a covid-19
Projeto 12. A ferramenta para a vacinação contra a covid-19
Categoria - Inovação e transformação digital
Projeto - Portal de Agendamento Online para vacinação contra a covid-19
Entidade - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde

O portal de agendamento online para vacinação contra a covid-19 permite que cada pessoa faça o pedido de agendamento da vacinação para o local e a data mais convenientes, de acordo com a disponibilidade dos postos de vacinação.

O plano de vacinação contra a covid-19 em Portugal teve início a 27 de dezembro de 2020, o portal entrou em funcionamento a 23 de abril de 2021 e compreendeu 303 postos de vacinação no continente. Mais de 3,6 milhões de cidadãos a partir dos 12 anos realizaram o pedido de agendamento, tendo sido emitidos mais de 4 milhões de comprovativos de pedido de agendamento. O auto agendamento online iniciou-se pelas pessoas com 65 anos, até que na fase final abrangeu adolescentes a partir dos 12 anos.

O portal permitiu realizar a desmaterialização integral do processo de agendamento e convocatória, garantindo elevada satisfação do cidadão, dos profissionais de saúde e entidades envolvidas (mais de 80% de aceitação ao agendamento SMS); permitiu reduzir custos face aos meios tradicionais de convocatória (carta, telefone).

Os resultados mostram potencial de replicabilidade em outros contextos, como o agendamento e convocatória de todos os atos vacinais do Programa Nacional de Vacinação, consultas programadas e dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica.
Projeto 13. A insulina para os pobres
Projeto 13. A insulina para os pobres
Categoria - Integração de Cuidados
Projeto - APDP - 95 anos de experiência nos cuidados à diabetes
Entidade - Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal

Criada em 1926 pelo médico diabetologista Ernesto Roma, com o objetivo inicial de fornecer insulina às pessoas pobres com diabetes, hoje a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) tem uma clínica de diabetes que é uma das maiores da Europa, acompanha cerca de 50 mil pessoas com diabetes por ano, de todo o país, prestando-lhes cuidados de diabetologia, e das especialidades de oftalmologia, cardiologia, nefrologia, urologia, pediatria, saúde reprodutiva, saúde mental e nutrição.

É um centro para colocação de bombas de insulina e dispõe, ainda, de um bloco operatório para cirurgia oftalmológica, um laboratório de patologia clínica e endocrinologia e de uma farmácia social, entre outras valências.

"Dados epidemiológicos indicam que a diabetes é um contribuinte central para as formas graves de covid-19", afirma João Filipe Raposo, diretor clínico da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal. Refere um estudo internacional que diz que "30 a 40% das pessoas hospitalizadas com doença grave e necessidade de cuidados intensivos e/ou que morreram devido à covid-19 tinham diabetes. O risco de morbilidade grave e de mortalidade é entre 100 e 250% superior entre pessoas com diabetes quando comparadas com pessoas sem diabetes".

O "problema maior" da pandemia foi a "suspensão dos programas de rastreio do pé diabético e da retinopatia diabética, e do atraso dos programas de diagnóstico da diabetes propriamente dita. Na diabetes tipo 2, as pessoas precisam de fazer avaliações laboratoriais de rotina médica que, provavelmente, não foram feitas", disse João Filipe Raposo.
Projeto 14. Menos pegada ecológica nos blocos operatórios
Projeto 14. Menos pegada ecológica nos blocos operatórios
Categoria -Sustentabilidade Económica e Financeira
Projeto - Economia Circular no Bloco Operatório - projeto-piloto de captura de gases anestésicos
Entidade - Unidade Local de Saúde de Matosinhos

"Este projeto surge em 2020 na sequência de um trabalho sistemático de análise da pegada ecológica dos cuidados de saúde, e especificamente dos gases anestésicos, iniciado em 2017 no Hospital Pedro Hispano, que é um dos dois únicos hospitais nacionais a integrar este projeto-piloto internacional, em parceria com as farmacêuticas Baxter e ZeoSys Medical, sendo o primeiro a operacionalizar este sistema em novembro de 2020", referiu Tiago Fernandes, anestesiologia e medicina hiperbárica do Hospital Pedro Hispano.

Explica que os sistemas de saúde são responsáveis por 4,5 a 10% da pegada ecológica. Dentro dos cuidados de saúde, cerca 5% das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) derivam unicamente do uso de fármacos anestésicos inalatórios. "Estes são agentes fundamentais na prática clínica do anestesiologista, sendo utilizados na grande maioria dos procedimentos cirúrgicos", sublinha Tiago Fernandes.

Este projeto-piloto consiste na instalação de um sistema de captura de gases anestésicos em quatro salas do bloco operatório do Hospital Pedro Hispano. Este sistema inclui sensores de segurança e coletores que têm na sua composição uma substância adsorvente que captura os gases anestésicos usados.

"Ao capturar estes fármacos, iniciamos um processo de economia circular no qual os coletores são depois recolhidos pela empresa farmacêutica para processamento industrial e uma potencial utilização futura como matéria-prima para novo fármaco, este último passo está em vias de certificação pelas empresas farmacêuticas", conclui Tiago Fernandes.
Projeto 15. O poder da ficção
Projeto 15. O poder da ficção
Categoria - Promoção da saúde e prevenção da doença
Projeto - 2’Minutos para mudar de vida
Entidade - Ipatimup, Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto

A primeira série de ficção portuguesa sobre educação para a saúde foi produzida pelo Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) e pelo Ipatimup, em parceria com a Fundação Belmiro de Azevedo. "As experiências de ficção na educação para a saúde são internacionais e dirigem-se sobretudo aos jovens e adolescentes, mas não para as doenças do cancro", refere Nuno Teixeira Marcos, um dos guionistas e realizadores da série e investigador do Ipatimup.

Esta iniciativa da Unidade de Prevenção de Cancro do Ipatimup iniciou-se em 2016 com a realização de "think tank" que reuniu oncologistas, técnicos de saúde, pedagogos, investigadores. Foi deste painel que surgiu a ideia de utilizar a ficção. "O poder de uma boa história é universal", diz Nuno Teixeira Marcos. Concluíram que na estratégia multiplataforma teriam de incluir a televisão para chegar "a franjas da população a que o online não chega".

Os primeiros passos foram a escrita dos guiões, que foi morosa, e que teve o apoio da Fundação da Calouste Gulbenkian, e a realização de um episódio-piloto, que foi apresentado à RTP e que aceitou um programa educativo na saúde em horário nobre. Em maio de 2018, produziram os 20 episódios com 94 personagens feitas por 31 atores.

Em abril e maio de 2019, os episódios exibidos na RTP foram vistos em média por 374 mil espectadores, foram mais de 3 milhões de portugueses a ver algum conteúdo da série. Em março de 2021 chegou ao online e já teve 14 mil downloads efetuados por professores, assim como 95 mil visualizações no Youtube.





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