Inverno seco e Primavera chuvosa penalizaram as vinhas mas vão ajudar a produção de cereais

O INE estima que a produção de cereais vai aumentar 8% face a 2017 e superar as 200 mil toneladas, enquanto a produtividade da campanha vitícola deverá decrescer 5%.
Jornal de Negócios
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Rita Faria 20 de agosto de 2018 às 12:17

O Inverno seco e a Primavera fria e chuvosa foram favoráveis para determinadas culturas e penalizadoras para outras, como é o caso da vinha, cuja produtividade deverá cair 5% face ao ano passado.

Esta é uma das estimativas das Previsões Agrícolas de 31 de Julho, do Instituto Nacional de Estatística (INE), que apontam ainda para um aumento da produção de cereais, como o trigo, o centeio e a cevada na ordem dos 8%.

"As previsões agrícolas, em 31 de Julho, apontam para um aumento global da produção de cereais de outono/inverno (8% face a 2017), consequência das condições climatéricas favoráveis", informa o INE.

A produção global deverá ficar próxima das 209 mil toneladas em 2018, um aumento "suportado exclusivamente pela subida da produtividade média, positivamente influenciada pelas condições climatéricas, em particular pela ocorrência de precipitação em fases decisivas (após a adubação de cobertura e no enchimento do grão)", detalha o INE no relatório divulgado esta segunda-feira, 20 de Agosto.

Já no que respeita à campanha vitícola, o INE antecipa uma quebra de 5% na produtividade face a 2017. "A floração e alimpa decorreram com tempo húmido, originando o surgimento de desavinho e bagoinha. Posteriormente surgiram fortes ataques de míldio (algum no cacho), oídio e podridão cinzenta, de difícil controlo", sublinha o INE.

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O relatório nota que,na maioria das regiões vitivinícolas, verificam-se graus de maturação muito distintos, sendo que em geral o ciclo da videira está atrasado entre duas a três semanas, o que conferirá às condições climatéricas de Agosto e Setembro um "carácter determinante" na quantidade e qualidade da vindima.

Os dados revelados pelo INE esta segunda-feira ainda não integram potenciais impactos decorrentes da vaga de calor do início de Agosto, nem eventuais consequências do incêndio de Monchique, pelo que o instituto de estatísticas ressalva que "poderão ocorrer ajustamentos às actuais previsões no Boletim Mensal de Agricultura e Pescas de Agosto (com publicação prevista para Setembro)".

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