Agricultura e Pescas Descodificado o genoma do trigo ao fim de 13 anos de investigação

Descodificado o genoma do trigo ao fim de 13 anos de investigação

Uma descrição detalhada do genoma do trigo foi publicada esta quinta-feira na revista Science, permitindo no futuro produzir novas variedades do cereal, potencialmente adaptadas às alterações climáticas, mais rentáveis, mais nutritivas e sustentáveis.
Lusa 16 de agosto de 2018 às 20:21

A descodificação da sequência do genoma do trigo foi o resultado de 13 anos de investigação, juntando mais de 200 cientistas de 73 instituições de 20 países, um consórcio, o International Wheat Genome Sequencing Consortium, que agora publica o artigo na revista.

 

A revelação da estrutura do genoma do trigo foi durante muito tempo considerada uma missão impossível, devido ao grande tamanho - cinco vezes maior do que o genoma humano - e complexidade - a existência de três sub-genomas e mais de 85% do genoma ser composto por elementos repetidos.

 

Além da sequência dos 21 cromossomas o artigo da Science apresenta a localização exacta de 107.891 genes e de mais de quatro milhões de marcadores moleculares.

 

Realizada com uma variedade de trigo chamada "Chinese Spring" a descodificação anunciada hoje é apresentada como a de maior qualidade feita até hoje.

 

Cultura essencial para a segurança alimentar, o trigo é o alimento básico para mais de um terço da população mundial e contribui para quase 20% do total de calorias e proteínas consumidas pelas pessoas, mais do que qualquer outra fonte alimentar. E é também uma importante fonte de vitaminas e minerais.

 

Para responder à procura de trigo no futuro, com uma população mundial projectada de 9,6 mil milhões de pessoas até 2050, a produtividade do cereal precisa de aumentar 1,6% por ano. Mas esse aumento terá de se dever essencialmente à melhoria das culturas e das características das terras actualmente cultivadas, para preservar a biodiversidade e a água.

 

Com a descodificação da sequência do genoma agora concluída, salientam os autores do trabalho, os agricultores poderão ter grãos com mais rendimento e qualidade, mais resistentes a doenças fúngicas e mais tolerância a stress abiótico (influências do meio envolvente).

 

E acrescentam que se espera uma melhoria do trigo nas próximas décadas, com benefícios semelhantes aos observados com o milho e o arroz, depois de concluídas as suas sequências de referência.