Patrões alertam para a iminência de uma crise económica e exigem ao Governo o controlo de preços
Um conjunto de oito associações empresariais e agrícolas solicitaram, a 17 de abril, uma audiência com carácter de urgência ao ministro da Economia e Coesão Territorial para entregar um documento que “alerta para a iminência de uma crise económica e exige ao Governo o controlo de preços”.
Meia dúzia de dias depois, na manhã desta quinta-feira, 23 de abril, as subscritoras do alerta ficaram a saber que o ministro Manuel Castro Almeida “não tem agenda para as próximas semanas e despachou para o secretário de Estado da Economia que, disse a mesma fonte, vai amanhã para compromissos no estrangeiro”, conta a Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME), em comunicado.
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Como “não existe resposta ao solicitado”, entenderam ter “legitimidade para tornar pública a análise feita à realidade económica e social”, sublinhando “prioridade máxima e ação concreta que devolva às empresas e às famílias o retorno justo do esforço que fazem todos os dias”.
O documento, que “será enviado aos partidos com assento parlamentar e ao Presidente da República”, foi “aprovado por unanimidade” e assinado pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME), Associação Nacional dos Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Associação de Feiras e Mercados Região Norte (AFMRN), Associação Nacional Movimento TVDE (ANMTVDE), Associação Portuguesa de Empresários de Diversão (APED), Federação Portuguesa do Táxi (FPT) e Associação Nacional de Indústrias de Táxis e Serviços de Turismo (Portugal T).
Leia na íntegra o documento:
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“Associações empresariais e agrícolas alertam para a iminência de uma crise económica e exigem ao Governo o controlo dos preços!
Depois do atropelamento por um verdadeiro ‘comboio de tempestades’, a economia portuguesa, as micro, pequenas e médias empresas e a agricultura familiar podem ser agora abalroadas pelo aumento brutal dos combustíveis e o consequente agravamento dos preços das matérias-primas e de todos os serviços que influenciam a sua atividade.
E tudo indica que, tal como nos temporais de janeiro e fevereiro, também nesta crise que vem do Médio Oriente, após o ataque despropositado dos Estados Unidos e Israel ao Irão, ou que por ele é influenciada oportunisticamente pelos chamados mercados, o Governo português poderá manter uma resposta assente em medidas insuficientes, sem impacto prático relevante na vida das empresas e das famílias, permitindo que os custos continuem a atingir níveis cada vez mais difíceis de suportar.
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Perante este cenário, as associações empresariais e agrícolas recusam propaganda vazia e exigem, com firmeza, responsabilidade política e respostas imediatas por parte do Governo. As comunidades, as populações, os agricultores e o tecido empresarial não podem continuar a esperar.
Não há mais margem para adiamentos.
As associações empresariais e agrícolas exigem prioridade máxima e ação concreta nas seguintes medidas:
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1. Controlo efectivo e urgente do mercado energético;
2. Fixação de preços que travem a especulação e protejam empresas e consumidores, reforçando a capacidade inspetiva do estado nos mercados dos bens alimentares, da energia e de outros fatores de produção;
3. Apoios financeiros do estado a fundo perdido às empresas e explorações agrícolas mais expostas ao agravamento dos preços dos combustíveis líquidos e do gás;
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4. Alargamento imediato do acesso ao gasóleo profissional acompanhado de apoios significativamente reforçados, para todos os setores de transportes de mercadorias e passageiros, incluindo os táxis e tvde, e aumento do apoio ao gasóleo agrícola;
5. Devolução do aumento dos ganhos no valor do isp à economia e aos portugueses e eliminação da dupla tributação, reduzindo o valor de iva que incide sobre os combustíveis e garantindo que não incide iva sobre impostos;
6. Aceleração decisiva da transição energética, com medidas concretas que reduzam a dependência externa, reforcem a produção nacional de energia e protejam a economia de choques internacionais, reforçando as verbas disponíveis para as Micro, Pequenas e Médias Empresas, assim como para os particulares;
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7. Apoios para colmatar o aumento dos custos dos fertilizantes e outros factores de produção, nomeadamente através da criação de um programa público de compras conjuntas destes produtos.
Estas associações empresariais e agrícolas alertam: Sem a aplicação célere e determinada destas medidas, o país caminha para uma crise económica profunda. A história demonstra que a inação terá consequências graves, fragilizando o tecido empresarial, penalizando a coesão social, a soberania alimentar e comprometendo o futuro coletivo.
O momento exige que o Governo reponha justiça fiscal e económica, aplicando com urgência políticas que devolvam às empresas e às famílias o retorno legítimo do esforço que fazem todos os dias.”
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