Tarifas de 40% no setor automóvel, acordos na defesa e vinho na mesa das negociações UE-Índia
“Estamos na iminência de um acordo comercial histórico” com a Índia. A revelação foi feita por Ursula Von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, em Davos, na Suíça, salientando, contudo, que “ainda há trabalho a fazer”. Há arestas a limar no acordo, nomeadamente no que respeita à agricultura, ao setor vitivinícola, mas já parece haver entendimentos no que respeita ao setor automóvel, mas também ao da defesa.
Pouco depois de ficar fechado o acordo comercial União Europeia (UE)-Mercosul, pese embora este tenha sido enviado para o Tribunal de Justiça pelo Parlamento Europeu, a UE centrou atenções na Índia. As negociações não são de agora, mas ganharam velocidade nas últimas semanas, existindo já “drafts” bastante estabilizados quanto aos parâmetros deste acordo.
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Nos últimos dias, o gabinete do Executivo da Índia, liderado por Narendra Modi, deu já a sua aprovação a algumas partes a proposta de acordo UE-Índia, segundo a informação obtida pelo Business Standard, citada pela Bloomberg. E, avança a publicação, foram validadas partes do acordo sobre mobilidade, defesa e segurança, bem como sobre a partilha de informação.
No caso da mobilidade, de acordo com informações avançadas pela Reuters, citadas pela Bloomberg, há entendimento sobre as tarifas sobre o setor automóvel. Terão, segundo a agência noticiosa, chegando a um acordo para reduzir as tarifas sobre veículos europeus com preços até aos 15.000 euros. Em vez de 110%, essas tarifas podem baixar para 40%, podendo reduzir, ao longo do tempo, para apenas 10%.
É, porventura, o detalhe mais concreto – ainda que não confirmado – deste acordo que levará a uma maior cooperação entre os dois blocos económicos no que respeita ao setor da defesa, isto quando a UE procura rapidamente rearmar-se dado o contexto geopolítico.
Se nestes pontos já há aproximações relevantes, a Von der Leyen e a António Costa, presidente do Conselho Europeu, falta ainda uma série de reuniões para tentar validar acordos sobre outros setores que permitam selar o acordo global. Entre esses está o "tema quente" da agricultura, com a Índia a revelar reticências com a chegada de produtos europeus que podem travar a indústria do país na qual muita da população trabalha.
E há também a tentativa de se chegar a um entendimento no que respeita ao setor vitivinícola, com a UE a tentar abrir um mercado com enorme potencial. Depois do acordo com o whisky britânico, os líderes europeus procura agora escoar o vinho do velho continente para um país quase sem peso nas exportações.
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Faltam detalhes para que possa ser dado por concluído o processo negocial e assinado mais este acordo com o qual a UE procura encontrar formas de contornar os entraves que têm sido implementados pelos EUA, um dos seus principais parceiros comerciais. E é grande a expectativa para perceber se essa assinatura pode acontecer ainda esta semana, como prometido.
Tanto Ursula von der Leyen como António Costa estarão esta terça-feira, 27 de janeiro, em Nova Deli, por ocasião das comemorações do 77.º aniversário da República da Índia, estando previstos encontros entre os líderes dos dois blocos para que sejam dados passos concretos.
Um acordo comercial entre a UE e a Índia é visto como um passo de gigante para os dois lados, criando um mercado com quase dois mil milhões de habitantes que equivale a cerca de um quarto de toda a riqueza gerada anualmente a nível mundial.
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