AIE: Portugal deve apoiar compra de carros elétricos usados

Defende também a expansão da rede urbana de carregamento e novas medidas para aumentar a transferência modal.
Relatório da AIE tem dez recomendações sobre políticas energéticas
Miguel Baltazar/Jornal de Negócios
Lusa 07:18

A Agência Internacional de Energia (AIE) recomenda que Portugal apoie a compra de veículos elétricos usados, sobretudo por famílias de baixos rendimentos, para reduzir emissões num setor dos transportes ainda muito dependente do petróleo.

A proposta consta da Revisão da Política Energética de Portugal 2026, hoje apresentada em Lisboa, documento que integra o ciclo regular de análises conduzidas pela AIE às políticas energéticas e climáticas dos países membros e apresenta 10 medidas para Portugal.

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No caso dos transportes, aponta como prioridades o apoio a veículos elétricos usados, a expansão da rede urbana de carregamento e novas medidas para aumentar a transferência modal.

Segundo o relatório, os transportes são a principal fonte de emissões de gases com efeito de estufa associadas à energia em Portugal, representando 54% em 2024, enquanto o petróleo assegurou 92% do consumo total de energia final do setor.

A AIE assinala que a aquisição de veículos elétricos está "em rápida expansão" em Portugal, graças ao regime fiscal favorável e a uma rede de carregamento bem desenvolvida ao longo dos principais corredores de transporte. Em 2025, os veículos elétricos representaram 38% das matrículas de veículos novos, uma taxa superior à média da União Europeia.

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Contudo, a AIE sublinha que subsistem "grandes desafios", uma vez que o transporte rodoviário continua a predominar e o parque automóvel português é "bastante envelhecido e ineficiente".

Apesar do crescimento nas vendas, a percentagem de veículos elétricos no parque total correspondia apenas a cerca de 6%, detalha.

Neste cenário, a AIE considera que a política de veículos elétricos deve refletir melhor o "poder de compra limitado" dos consumidores e a estrutura do mercado automóvel em Portugal, onde os veículos usados representam cerca de 80% das vendas.

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"A introdução de um subsídio para a aquisição de veículos elétricos usados destinado às famílias de baixos rendimentos permitiria reduzir a idade média do parque automóvel e as emissões", lê-se no documento.

A agência defende que os beneficiários prioritários deste apoio devem incluir motoristas profissionais e pequenas e médias empresas, "a fim de garantir que os escassos recursos públicos cheguem às pessoas que mais precisam de apoio financeiro e cujo potencial de redução de emissões é maior".

No carregamento, recomenda que a expansão da infraestrutura dê prioridade aos postos de baixa tensão nas zonas urbanas, onde muitas famílias estacionam na rua e não podem instalar carregadores privados.

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Segundo o relatório, essa expansão também deve ter "especial atenção" às famílias de baixos rendimentos, enquanto a instalação de postos de carregamento em parques de estacionamento junto a interfaces de transportes públicos poderia melhorar a integração entre transportes públicos e veículos elétricos.

A agência considera, contudo, que a redução do consumo de petróleo e das emissões não deve depender apenas da substituição tecnológica do parque automóvel.

"A forma mais sustentável de Portugal reduzir o consumo de petróleo e as emissões passa pela transferência modal do automóvel particular para os transportes públicos, a ferrovia, as deslocações a pé e de bicicleta", assinala.

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Segundo o relatório, esta transferência modal reduz estruturalmente a procura de energia, ao contrário da substituição tecnológica dentro do parque automóvel, baixando o consumo de petróleo e a necessidade de investimentos avultados na modernização da rede elétrica.

A agência defende também que Portugal deve fazer mais para transferir o transporte de mercadorias da frota de camiões a gasóleo para a rede ferroviária "altamente eletrificada".

O relatório considera que a transferência modal deve manter-se como "um pilar central" da política de transportes e que o planeamento urbano e regional deve garantir acesso equitativo a mobilidade ativa, transportes públicos fiáveis e a preços acessíveis, bem como à rede nacional de alta velocidade.

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