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Carlos Tavares na calha para liderar a Peugeot

A PSA Peugeot Citroën está à procura de um gestor para suceder ao actual CEO. O executivo português, que até Agosto era nº2 da Renault, é apontado como o próximo líder da construtora automóvel francesa.

Reuters
24 de Novembro de 2013 às 21:34

Em Agosto Carlos Tavares saiu da Renault depois de ter demonstrado vontade de liderar uma grande construtora de automóveis e reconhecido que tal seria muito difícil na empresa francesa, que é liderada por Carlos Ghosn. Agora, o gestor português surge na calha para chegar mesmo a nº 1 de uma grande construtora de automóveis, curiosamente também francesa.

A PSA Peugeot Citroën anunciou este Domingo que deu início ao processo para seleccionar um executivo para liderar as áreas de estratégia e operações da companhia e preparar a sucessão de Philippe Varin, o actual CEO da fabricante de automóveis. A empresa não identifica qual é o gestor, mas o jornal francês “Le Figaro” adianta que é Carlos Tavares quem está melhor posicionado para vir a liderar a Peugeot.  Assim, de nº2 da Renault sem perspectiva de chegar ao topo, o gestor português deverá passar a nº2 da Peugeot com o caminho aberto para a liderança da empresa.

De acordo com a Bloomberg, que também noticiou  que Carlos Tavares deverá ser o escolhido, este processo para escolher o novo homem forte da construtora francesa representa um corte com a tradição seguida pela família Peugeot, que controla 25,5% do capital da empresa e nos 117 anos de história da companhia sempre escolheu o líder da empresa através de uma selecção interna.

O “Le Figaro” avança que Carlos Tavares já terá reunido com os principais responsáveis da

Quem for apaixonado pela indústria automóvel chega à conclusão que há um ponto em que temos energia e vontade de chegar a número 1
 
Carlos Tavares, em Agosto de 2013, 
ainda na Renault

família Peugeot e com o actual CEO Philippe Varin e que a candidatura do gestor português será unanimemente bem recebida.

Se chegar a presidente executivo da Peugeot, Carlos Tavares não tem tarefa fácil pela frente, já que a companhia francesa passa por uma crise financeira que está a afectar todo o sector automóvel mundial, mas mais em particular a companhia francesa. No primeiro semestre deste ano a Peugeot teve prejuízos operacionais de 510 milhões de euros, com a forte dependência do mercado europeu a penalizar a companhia, que procura um parceiro industrial que injecte dinheiro na empresa através de um aumento de capital que no total pode chegar a 3 mil milhões de euros. A chinesa Dongfeng Motor chegou a admitir ficar com 20% da empresa, igualando a posição detida pelo estado francês, mas agora o objectivo passa por deter apenas 10%.

Desde que Varin assumiu a liderança da Peugeot em 2009, a empresa eliminou 11.200 postos de trabalho e encerrou uma fábrica nos arredores de Paris. Recentemente chegou a acordo com os trabalhadores para reduzir a remuneração das horas extra e congelar aumentos salariais, dando em troca a garantia que não fecharia mais fábricas em França até 2016.

Em Portugal a companhia detém uma fábrica, em Mangualde, que emprega mais de 1.100 trabalhadores e produz os modelos Citroën Berlingo e Peugeot Partner. Este ano, a unidade fabril vai produzir 285 carros/dia, num total de 60.000 automóveis. Uma subida de 30% face aos 49.000 que saíram da fábrica em 2012, que é a maior empresa da região e uma das maiores exportadoras de Portugal.

 

O gestor que saiu da Renault por querer chegar a CEO

“Poliglota”, “apaixonado pelo mundo automóvel”, “austero” e “extremamente rigoroso”. Foi assim que o jornal económico francês “La Tribune” classificou Carlos Tavares quando este foi escolhido, em Maio de 2011, para braço-direito de Ghosn na Renault, depois de um escândalo de espionagem ter levado a demissão do anterior nº2 da empresa francesa.

Carlos Tavares entrou para a Renault em 1981 e só saiu em 2004, quando assumiu funções na divisão da América do Norte da Nissan (a empresa nipónica é detida em mais de 40% pela Renault).

Carlos Tavares era considerado por muitos como um sucessor provável do actual líder Carlos Goshn, de 59 anos, mas em meados de Agosto, em entrevista à Bloomberg, surpreendeu ao demonstrar intenção de seguir carreira como líder noutras paragens.

“Quem for apaixonado pela indústria automóvel chega à conclusão que há um ponto em que temos energia e vontade de chegar a número 1”, disse o ex-Chief Operations Officer da marca francesa - onde chegou há 31 anos como piloto de testes -, mostrando vontade de não querer esperar tanto tempo assim para suceder a Goshn. 

Tavares deu a entender que a sua ambição pessoal de liderar a marca francesa não lhe permitia esperar mais cinco anos, que o próprio acreditava que Goshn ainda passasse à frente da Renault. Nessa altura, o português já teria 60 anos e considerava que seria tarde de mais para assumir a liderança de uma grande construtora.

Na mesma entrevista, questionado directamente sobre o interesse em liderar a General Motors, afirmou que “seria uma honra”. Directamente sobre a sucessão da marca norte-americana disse: “A GM poderá ter outros bons candidatos em equação e se as coisas não se proporcionarem, não faz mal. Considerarei outras empresas, mas as de Detroit são as que estão a preparar a sucessão”.

Ao que tudo indica, Carlos Tavares não terá que voltar a atravessar o Atlântico e deverá ser no mesmo país onde trabalhou nos últimos anos que atingirá o objectivo de liderar uma grande construtora automóvel mundial.

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