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Piëch abandona presidência da Volkswagen

Ferdinand Piëch abriu uma guerra dentro do grupo Volkswagen depois de ter questionado as capacidades de Martin Winterkorn para liderar o grupo automóvel alemão. Uma guerra que conheceu o seu desfecho este sábado e que ditou a saída imediata de Piëch do cargo de "chairman".

Bloomberg
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Ferdinand Piëch (na foto), "chairman" da Volkswagen, numa entrevista à revista Der Spiegel no dia 10 de Abril, revelou que se tem "afastado" do CEO Martin Winterkorn e questionou as suas capacidades para liderar o grupo automóvel alemão.

 

Começou assim uma guerra familiar, que durou cerca duas semanas, que não teve o desfecho que Piëch desejava.  

 

"Os membros da comissão executiva consideraram, unanimemente, que, tendo em consideração os desenvolvimentos das últimas semanas, a confiança mútua necessária para uma cooperação com sucesso já não existe", assume a comissão executiva em comunicado emitido no sábado, 25 de Abril.

 

"Por esta razão o professor Dr. Ferdinand K. Piëch resignou com efeitos imediatos da sua posição de ‘chairman’", bem como de todos os seus cargos no conselho de supervisão dentro do grupo Volkswagen. O cargo de "chairman" será assegurado "temporariamente" pelo actual vice-chairman, Berthold Huber. Este último responsável vai liderar ainda a assembleia geral, agendada para o dia 5 de Maio, acrescenta a mesma fonte.

 

Berthold Huber terá agora a missão de, em conjunto com os accionistas e os funcionários, de encontrar candidatos a "chairman".

 

Não foi a primeira vez que declarações polémicas de Piëch afastaram o CEO do grupo. Desta vez, as palavras foram recebidas com surpresa, mesmo já sendo conhecida a pouca paciência deste patriarca para gestores que o desapontem.

 

Apesar de Winterkorn ter triplicado os lucros do grupo alemão para quase 11 mil milhões de euros desde que assumiu o cargo em 2007, é o mais recente plano de redução de custos a justificar a posição de Ferdinand Piëch. O reduzido desempenho no mercado norte-americano é o principal factor a pesar na posição. Por isso mesmo, a companhia terá de cortar cerca de cinco mil milhões de euros até 2017.

 

Os desentendimentos entre os clãs Piëch Porsche sobre a liderança do império automóvel não são novos. Contudo, as discussões ocorrem geralmente à porta fechada – o que não se verificou desta vez.

 

O conselho de supervisão da Volkswagen, que reuniu no dia 16 de Abril apoiou a continuidade de Martin Winterkorn como CEO da marca alemã. Este órgão de supervisão disse na altura esperar que Winterkorn continue como CEO da Volkswagen com "o mesmo vigor e sucesso" que até aqui.

 

Winterkorn chegou a ser "protegido" de Piëch quando o último era ainda CEO da Volkswagen, tendo preparado o caminho para que este o substituísse no cargo em 2007. Martin Winterkorn é o CEO mais bem pago da Alemanha, tendo auferido cerca de 16 milhões de euros no ano passado.

 

 

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