Augusto Mateus: "É possível deixar a economia no congelador durante um mês"
"Se não hesitámos em meter oito ou nove mil milhões de euros para salvar bancos, não é muito difícil aceitar que se apliquem oito ou nove mil milhões para salvarmos a economia". A afirmação é de Augusto Mateus, ex-ministro da Economia, em entrevista ao Jornal Económico.
Para o economista, esse valor é o que custará "desligar" 60% da economia durante um mês ou mês e meio. Para Augusto Mateus, as medidas de combate a esta crise não podem ser as mesmas das anteriores. E por isso avança: "Se calhar vai ser preciso meter parte da economia no congelador. Isto é: será preciso suportar tudo, para depois voltar a partir nas condições em que estávamos quando se fechou a economia", e isso faz-se "desligando a produção do rendimento".
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E por quanto tempo? "É possível deixar a economia no congelador durante um mês. No máximo um mês e meio. Mais que isso é impossível. Como tudo indica que precisamos do mês de abril para desligar completamente a economia e não dar cabo dela esta é capaz de ser a melhor solução".
Isso obrigaria a garantir o rendimento mínimo, quantificando Augusto Mateus o custo em oito ou nove mil milhões de euros paralisar 60% da economia, já que não é possível congelá-la toda. Congelar tudo significaria 15 a 16 mil milhões de euros.
Para o ex-ministro da economia, é importante não deixar desequilibrar as empresas. "Se muitas pequenas empresas fecharem, elas já não abrem. E acredito que o crédito é completamente ineficaz". Augusto Mateus diz mesmo que é um sistema ineficaz e até injusto. As empresas, diz, precisam de liquidez e não de dívida.
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