CGD lucra 1,9 mil milhões e dá 1,25 mil milhões ao Estado

O banco público quebrou mais uma vez o recorde de resultados líquidos anuais com um crescimento de 10%. Os dividendos a entregar - um máximo histórico - elevam a remuneração acionista desde 2019 para 4,6 mil milhões.
Paulo Macedo na apresentação de resultados da CGD
António Pedro Santos Lusa/EPA
Hugo Neutel e João Duarte Fernandes 16:42

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou um lucro de 1,9 mil milhões de euros em 2025, o que representa um crescimento de 10% face ao resultado de 2024. É mais um recorde histórico que resultará em dividendos de 1,25 mil milhões de euros a entregar ao Estado, anunciou o banco nesta quinta-feira.

"É o maior dividendo de sempre do setor bancário", enfatizou o CEO da instituição financeira, Paulo Macedo, na apresentação dos resultados. Com esta remuneração, o Estado arrecada 4,6 mil milhões de euros, desde 2019.

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A vasta maioria do resultado teve origem em Portugal. A operação nacional gerou 1,8 mil milhões de euros para o resultado líquido consolidado, enquanto a atividade internacional acrescentou 110 milhões de euros.

A venda da participação na Águas de Portugal teve um papel relevante no resultado: permitiu um encaixe de 188 milhões de euros. O adicional de solidariedade, que foi considerado inconstitucional, obrigado o Estado a devolver os valores pagos, originou proveitos de 29 milhões em 2025.

A margem financeira consolidada atingiu os 2,5 mil milhões de euros, uma redução de 276 milhões (-10%) face ao valor apresentado em 2024. A diminuição reflete a baixa das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE). 

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Do total, Portugal gerou 2 mil milhões da margem financeira, “incluindo 773 milhões de euros provenientes das atividades de tesouraria e da gestão da carteira de títulos, e das restantes entidades domésticas (17 milhões de euros)”, segundo o relatório da apresentação de resultados da CGD. Já a contribuição da atividade internacional para a mesma métrica foi de 504 milhões de euros, uma redução de 1,4% face ao ano anterior, influenciada, diz o banco público, “pela desvalorização generalizada das moedas locais face ao euro”.

As comissões renderam 587 milhões de euros, numa evolução ligeira face aos 581 milhões de 2024.

A carteira de crédito da CGD atingiu 58,9 mil milhões de euros em 2025, um crescimento de 6,3% face ao registado em 2024.

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Em Portugal, aumentou 3,9 mil milhões (+8%) no conjunto do ano passado para um total de mais de 51,5 mil milhões.

A carteira de crédito à habitação aumentou 10%, atingindo 28 mil milhões de euros. Os novos empréstimos para a compra de casa atingiram 5,8 mil milhões resultantes da soma de 38 mil contratos. A garantia pública de apoio a jovens teve um papel significativo nesta evolução. Após esgotar a sua quota inicial de 258 milhões de euros, a CGD já está a utilizar o reforço de 250 milhões de euros.

O crédito a empresas cresceu 5%, elevando o total para 22 mil milhões.

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O rácio crédito malparado (NPL, sigla para a expressão inglesa "Non-Performing Loans") voltou a cair, de 2,04% para 1,78%. 

Em termos de exigências de capital, o banco público tem um rácio de CET1 ("Common Equity Tier 1") de 21,19%, muito acima da meta de 8,86% exigida pelo Banco Central Europeu. 

O volume de depósitos em Portugal atingiu 78,2 mil milhões de euros, acima dos 75,7 mil milhões de 2024. 

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