Maria Luís Albuquerque alerta para diferença "significativa" entre riscos e seguros

A comissária europeia está em Lisboa esta quinta e sexta-feira para uma série de encontros com responsáveis do setor financeiro e do Governo. Numa conferência da APS afirmou que os efeitos da tempestade Kristin em Portugal recordam que o impacto dos fenómenos climáticos "não é abstrato".
Maria Luís Albuquerque está em Lisboa esta quinta e sexta-feira para uma série de encontros.
Miguel Baltazar
Leonor Mateus Ferreira 19 de Fevereiro de 2026 às 09:58

A previsibilidade e a estabilidade tornam-se “ativos estratégicos” num mundo em transição profunda e o papel do setor segurador é essencial não só como gestor de risco, mas também como facilitador de confiança, segundo Maria Luís Albuquerque. , adverte que sem mecanismos eficazes de partilha e mitigação de risco, a economia torna-se mais cautelosa, o investimento abranda e a inovação perde dinamismo.

“A realidade é que existe ainda um ‘protection gap’ significativo — uma diferença entre os riscos enfrentados pela sociedade e os riscos efetivamente cobertos por seguros”, avisou, na Conferência Fórum Económico da Associação Portuguesa de Seguradores (APS). “Este desfasamento é particularmente visível nos riscos climáticos e catastróficos”.

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A comissária responsável pela pasta dos serviços financeiros sublinhou que os números relativos à efetiva cobertura de seguros em Portugal, sejam particulares ou empresas, “mostram o muito que ainda há por fazer” e sublinhou que não é abstrato. É real, é humano e exige respostas concretas”.

O papel das seguradoras torna-se, nestes momentos, evidente e passa por apoiar famílias e empresas, acelerar a recuperação económica e reforçar a resiliência coletiva, segundo a responsável europeia. “Numa Europa cada vez mais exposta a riscos climáticos, geopolíticos e tecnológicos, reduzir este ‘gap’ de proteção não é apenas uma prioridade económica — é também uma responsabilidade social e estratégica”, considera.

Há espaço para uma maior participação do setor segurador enquanto fonte de capital. Maria Luís Albuquerque, Comissária Europeia

No encontro sobre como a geopolítica interfere na economia e o seu reflexo no setor segurador, Maria Luís Albuquerque lembrou ainda que, além da gestão do risco, as seguradoras são também um dos maiores investidores institucionais da Europa. “Em face dos desafios com que estamos confrontados, este papel ganha ainda maior relevância”, afirmou, .

“Ao ajustar o enquadramento prudencial de forma equilibrada, procurámos libertar capacidade de investimento, preservando ao mesmo tempo a robustez e a estabilidade financeira que caracterizam o setor na Europa”, garantiu, acrescentando que “com esta decisão sinalizámos que há espaço para uma maior participação do setor segurador enquanto fonte de capital”.

A responsável pelo projeto da União da Poupança e dos Investimentos lembrou ainda a necessidade de canalizar capital de longo prazo para os objetivos europeus, criar um sistema financeiro mais integrado, capaz de transformar a poupança europeia em crescimento económico e oportunidades reais – ou da revitalização do Produto Individual de Reforma Pan-Europeu (PEPP).

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“Num contexto de imprevisibilidade, o setor segurador não é apenas um observador — é um protagonista. Um gestor de risco, um investidor estratégico e um parceiro essencial na construção de uma economia mais resiliente. Reduzir o ‘protection gap’, mobilizar poupança de longo prazo e garantir segurança são desafios comuns — e também oportunidades”, acrescentou.

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