Mau tempo: supervisor dos seguros estima perdas de 600 milhões
A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) calcula que as perdas provocadas pelo mau tempo atinjam 600 milhões de euros. Note-se que este valor apenas diz respeito a património segurado. Do total, 40% vem de danos em habitações.
“Cálculos de resseguradores internacionais estimam perdas seguradas que podem atingir os 600 milhões de euros, sendo 40% relativos a habitação, 24% a comércio e 36% a indústria”, adiantou o presidente do supervisor, Gabriel Bernardino, na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública.
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“Estes valores são particularmente elevados em função da exposição em comércio, serviços e indústria nos concelhos mais afetados no distrito de Leiria, os quais apresentam, a nível nacional, os capitais agregados seguros mais elevados do país”, afirmou, lamentando que “infelizmente, cerca de 49% das habitações expostas nos concelhos em estado de calamidade não tinham seguro com cobertura de tempestades e inundações”.
"Estamos perante um número de ocorrências muito significativo: aproximadamente 114 mil sinistros participados até ontem [terça-feira, dia 17], relativamente aos quais, de acordo com a informação mais recente que possuímos, já foram pagos pelo setor segurador cerca de 42 milhões de euros", acrescentou Bernardino.
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Os dados recolhidos pela ASF relativos à peritagem dos sinistros participados diariamente desde o início da tempestade mostram que 87% dos sinistros foram objeto de peritagem em menos de 15 dias após a data da participação. A análise mostra que 43% dos sinistros foram peritados em menos de 48 horas após a participação (5 milhões de euros pagos); 29% foram peritados de 48 horas a 7 dias (12 milhões de euros); 11% entre 8 e 14 dias, no valor de 22 milhões; e 17% em mais de 14 dias, totalizando 3 milhões de euros.
20 mil sinistros já foram regularizados ou objeto de adiantamento por parte das empresas de seguros, adiantou Bernardino.
O presidente do supervisor dos seguros salientou que no terreno estão cerca de 900 peritos, um "número nunca visto", assegurando que "as empresas de seguros têm trabalhado com relatórios de peritagem simplificados, permitindo uma análise mais rápida dos processos de sinistro, dispensando pedidos de documentação adicional usualmente requeridos".
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Gabriel Bernardino aproveitou para sublinhar um alerta antigo: Portugal tem uma enorme carência no capítulo da cobertura de desastres naturais, com destaque para os sismos.
"Atualmente, apenas 19% das habitações portuguesas possuem cobertura para fenómenos sísmicos. Isto significa que, em caso de sismo, 8 em cada 10 famílias poderiam perder o seu principal ativo de uma vida sem qualquer compensação", atirou. "No que toca aos riscos climáticos (inundações, tempestades e incêndios rurais), a cobertura situa-se nos 51%, deixando metade do país à mercê da intervenção do Estado após um evento extremo".
Se ocorresse um sismo de magnitude semelhante à do terramoto 1755 que arrasou Lisboa, a ASF estima que o evento "conduziria a perdas económicas que poderiam ultrapassar os 56 mil milhões de euros, correspondente a cerca de 19% do Produto Interno Bruto nacional, mergulhando Portugal numa depressão económica sem precedentes e paralisando gerações sob o peso da reconstrução".
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