O que já se sabe sobre o IPO do Novo Banco?
Há mais de dois anos que o Novo Banco começou a apontar para uma Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla inglesa). Desde então, já foram dados vários passos nesse sentido mas a operação não está garantida, ou seja, o IPO pode não chegar a acontecer em caso de venda direta, ou seja, se entretanto o Lone Star chegar a acordo para uma alienação.
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Nesta semana os acionistas do Novo Banco aprovaram uma alteração fundamental para o futuro da instituição. Autorizaram a abertura do capital. Vejamos como tudo começou. Foi em 2022 que o Novo Banco começou o caminho do IPO. Foi o ano de consolidação de resultados após em 2021 ter tido lucro pela primeira vez. A dispersão em bolsa começou a ser apontada pela administração, apoiada por uma indicadores financeiros cada vez mais sólidos após uma transformação dura da instituição.
Mas o caminho do IPO tinha vários obstáculos. O primeiro era o Acordo de Capital Contingente (CCA). O mecanismo assinado na venda de 2017 impedia a distribuição de dividendos, um entrave óbvio a uma venda. O CCA devia terminar no fim de 2025, mas o bom desempenho do banco permitiu a antecipação do prazo em um ano.
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Logo de seguida o Novo Banco anunciou a distribuição de 1,3 mil milhões de euros aos acionistas: a Lone Star (75% do capital), o Fundo de Resolução (13,54%) e o Estado, que tem 11,46%. Pouco tempo depois, em março deste ano, o banco acrescentou mais 2 mil milhões, elevando o total para 3,5 mil milhões. Pelo caminho, o Novo Banco selecionou também um conjunto de assessores para a operação.
Enquanto tudo isto se desenrolava, o cenário de venda direta ganhava força. Mas o banco e os acionistas querem jogar pelo seguro para garantir que encaixam o mais possível. Por isso, jogam em dois tabuleiros ao mesmo tempo. A venda continua a ser sempre uma hipótese mas continuam a trabalhar no IPO e para isso preparou o prospeto da operação.
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O documento precisa da luz verde da CMVM e a expectativa é que esse ok não demore muito mais. Quando o obtiver, o Novo Banco não fica obrigado a lançar a operação, fica apenas autorizado a fazê-lo se e quando quiser, o que o coloca numa situação de grande conforto.
É que desta forma, Lone Star, Estado e Fundo de Resolução ficam com dois caminhos abertos e ambos terminam num encaixe de muitos milhões. Isto porque o banco sabe que têm um trunfo na mão: se a venda não resultar, tem sempre o IPO e esse terá sucesso garantido.
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Há muito apetite no mercado. Se o acionista decidir avançar com a dispersão do capital, as etapas seguintes passam pelo registo na CMVM, pela fase de reservas e pelo chamado “book building”, que consiste no período de tomadas de posição firmes.
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