Sem controlo, UniCredit pode suspender compra do Commerzbank
O CEO do UniCredit, Andrea Orcel, disse que irá suspender os esforços que tem levado a cabo nos últimos anos para adquirir o rival Commerzbank, caso a oferta pública de aquisição (OPA) hostil apresentada não permita ao banco italiano obter controlo sobre a instituição financeira alemã.
“Se não conseguirmos o controlo [do Commerzbank], faremos uma pausa e concentrar-nos-emos noutros assuntos internos”, resumiu Orcel numa entrevista à Bloomberg TV nesta terça-feira, 21 de abril, aludindo à OPA de 35 mil milhões de euros que apresentará aos acionistas do banco alemão no próximo mês.
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O UniCredit tem vindo a tentar adquirir o Commerzbank há mais de 18 meses, mas os líderes do banco alemão, assim como o Governo do país - que mantém uma posição relevante no banco -, têm rejeitado sistematicamente a proposta de aquisição. Ainda na segunda-feira, o chanceler germânico, Friederich Merz, voltou a reiterar a posição de Berlim, opondo-se à potencial aquisição.
O CEO do UniCredit afirmou que a instituição financeira italiana - que é a maior acionista do Commerzbank com uma participação de pouco menos de 30% -, fez “tudo o que precisava de fazer” para avançar com o negócio e que a decisão cabe agora “aos 70% de acionistas além de nós [UniCredit] decidir se querem permanecer no Commerzbank”, sublinhou na mesma entrevista.
Espera-se que a OPA, anunciada no mês passado, eleve a participação do UniCredit no Commerzbank para além dos 30%. Este limiar é particularmente relevante na legislação alemã, uma vez que ultrapassar os 30% do capital obriga, em regra, ao lançamento de uma OPA sobre a totalidade do capital empresa em questão.
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Duas rondas de conversações de alto nível entre Orcel e a CEO do Commerzbank, Bettina Orlopp, não foram suficientes para quebrar o impasse, levando, em vez disso, a uma escalada de retórica que culminou esta semana. Na segunda-feira, Orcel lançou uma crítica severa à estratégia da instituição de crédito alemã e delineou propostas para melhorar o seu desempenho. Orlopp respondeu no mesmo dia, descrevendo a iniciativa de Orcel como “táticas hostis e caracterizações enganosas”, citou a agência de notícias financeiras.
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