Acionistas portugueses têm cada vez menos peso no BCP
O grupo Fosun, a Sonangol e acionistas de língua inglesa têm vindo a dominar a estrutura acionista do BCP. Os acionistas portugueses estão a perder tempo e já representam menos do que os dos EUA e Reino Unido.
Os acionistas portugueses têm vindo a perder peso no Banco Comercial Português (BCP). No fim de 2025, de acordo com o jornal Público, representavam 18,4% do capital do banco, significando uma quebra superior aos mais de 50% registados aquando da entrada da Fosun, em 2016, e aos 30% de 2022. No ano anterior, em 2024, os portugueses significavam mais de 25% dos acionistas do banco liderado por Miguel Maya.
Hoje, o BCP tem acionistas um pouco por todo o mundo, o que contrasta com a realidade de 1985, quando os portugueses representavam 100% dos acionistas. De acordo com o relatório e contas de 2025, os investidores chineses controlavam, no fim do ano passado, 20,5% do banco, sendo que 20,45% pertencia ao grupo Fosun, enquanto os angolanos tinham 20,20%, com 19,9% a recair sobre a Sonangol.
Além destas duas nacionalidades, os investidores dos Estados Unidos da América e do Reino Unido tinham uma posição conjunta de 18,9%, o que significa que ultrapassaram o peso dos acionistas portugueses.
De recordar que Miguel Maya apresentou um BCP com lucros de 1.018,6 milhões de euros em 2025, sendo que a gestão do banco vai propor um aumento da remuneração acionista para 90% dos lucros, com o objetivo de rever esta política em alta nos próximos anos. Neste novo modelo, a ideia do BCP é distribuir 50% em dividendos e o restante num programa de recompra de ações, que vai depender da evolução do rácio CET1, um indicador que mede a solidez financeira dos bancos.