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Aumento do malparado vai restringir concessão de crédito

A procura de crédito por parte das empresas aumentou, a das famílias diminuiu. Em ambos os casos, os critérios de concessão tornaram-se mais restritivos e houve mais pedidos de crédito rejeitados.

Tiago Sousa Dias/Cofina
Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 14 de Julho de 2020 às 11:19
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Tal como era antecipado pela banca, a procura de crédito aumentou de forma significativa do lado das empresas no segundo trimestre deste ano. A oferta, contudo, não acompanhou este movimento. Neste período, onde o impacto da pandemia já foi notório, os critérios de concessão de crédito a empresa tornaram-se mais restritivos, levando a um aumento da proporção de pedidos de empréstimo rejeitados. No resto do ano, antecipam os bancos, o aumento do rácio de malparado vai leva a uma ainda maior restritividade na concessão de crédito.

Estas são as principais conclusões do inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito, relativo ao segundo trimestre de 2020, publicado pelo Banco de Portugal esta terça-feira, 14 de julho.

"No segundo trimestre do ano, a procura de empréstimos por parte das empresas aumentou fortemente, especialmente no segmento de pequenas e médias empresas e em empréstimos de longo prazo e, em contraste, diminuiu fortemente no caso dos particulares, em ambos os tipos de crédito mas especialmente no crédito ao consumo", pode ler-se no relatório com as conclusões do inquérito.

Já do lado da oferta, indica o mesmo documento, "os critérios de concessão de crédito a empresas e particulares tornaram-se mais restritivos face ao trimestre anterior, especialmente nos empréstimos de longo prazo, no caso das empresas e no crédito ao consumo nos particulares".

Assim, reconheceram os bancos, "a proporção de pedidos de empréstimo rejeitados aumentou, em ambos os segmentos de crédito, mas especialmente no caso dos particulares, tanto para habitação como para consumo".

No terceiro trimestre, os bancos antecipam nova subida da procura de crédito por parte das empresas e uma estabilização no caso dos particulares, mas a tendência será para que os critérios de concessão se tornem ainda mais restritivos para as PME e para o crédito ao consumo.

A contribuir para essa maior restritividade estará o aumento dos níveis de crédito malparado. "Para os próximos seis meses, as instituições antecipam que o rácio de 'non-performing loans' contribua para um ligeiro aumento da restritividade dos créditos de concessão de crédito e dos termos e condições de crédito concedido a empresas e a particulares".

Isto porque os custos relacionados com a captação de fundos próprios e com as operações de limpeza do balanço deverão subir, ao mesmo tempo que as condições de acesso a financiamento de mercado, por parte dos próprios bancos, deverão deteriorar-se. Ao mesmo tempo, "as instituições esperam ainda um contributo mais significativo da perceção dos riscos para a maior restritividade na política de concessão de crédito".

Notícia atualizada pela última vez às 11h38 com mais informação.
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