Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Avaliação independente robustece decisão de resolução do Banif, diz BdP

De acordo com a avaliação da Baker Tilly, os ativos do Banif em 20 de dezembro de 2015 foram avaliados em 11.638 milhões de euros e os capitais próprios estimados em 31 milhões de euros negativos.

Vítor Mota
Lusa 15 de Julho de 2020 às 21:44
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...
O Banco de Portugal (BdP) considerou hoje que a avaliação da Baker Tilly revela que não há nada que retire validade à decisão tomada em dezembro de 2015 de resolução do Banif, "robustecendo, aliás, os seus principais pressupostos".

"[...] as conclusões formuladas pelo avaliador independente [Baker Tilly] não revelam nenhum elemento que infirme as deliberações adotadas nos dias 19 e 20 de dezembro de 2015, no âmbito da resolução do Banif, robustecendo, aliás, os seus principais pressupostos", lê-se no comunicado do banco central, divulgado hoje.

De acordo com a avaliação da Baker Tilly, os ativos do Banif em 20 de dezembro de 2015 foram avaliados em 11.638 milhões de euros e os capitais próprios estimados em 31 milhões de euros negativos.

No que respeita à posição de liquidez, lê-se no comunicado, "nos últimos dias que antecederam a aplicação das medidas de resolução, ocorreu uma saída de depósitos superior a 250 milhões de euros por dia, sendo de admitir que, mantendo-se esta cadência diária, a muito curto prazo, o Banif corria um risco muito elevado de rutura de tesouraria".

Quanto à transferência de ativos para a sociedade Oitante, o avaliador constata que a contrapartida paga pelos ativos transferidos (746 milhões de euros) "teve por base, nomeadamente, as regras e princípios emergentes do regime europeu dos auxílios de Estado, e dá nota de que o valor da contrapartida se situa dentro dos parâmetros definidos pelas competentes instâncias comunitárias", refere o BdP no comunicado hoje divulgado.

Quanto à alienação de um conjunto de ativos, passivos e elementos extrapatrimoniais do BANIF ao Banco Santander Totta, S.A., o avaliador independente diz que "não obteve evidência de que a operação de alienação não tenha sido realizada em condições de mercado, tendo em conta o contexto muito específico e casuístico em que ocorreu".

Foi em novembro de 2017, quase dois anos depois da resolução do Banif, que o BdP informou que escolheu a consultora Baker Tilly para avaliar que perdas teriam sofrido os credores do Banif se em vez da resolução, em dezembro de 2015, o banco tivesse sido liquidado (ao abrigo do princípio 'no creditor worse off').

Em dezembro, faz cinco anos que o Banif foi alvo de uma medida de resolução, por decisão do Governo e do Banco de Portugal.

Parte da atividade bancária do Banif foi então vendida ao Santander Totta por 150 milhões de euros, tendo sido ainda criada a sociedade-veículo Oitante para a qual foram transferidos os ativos que o Totta não comprou.

Continua a existir ainda o Banif S.A., o designado 'banco mau', no qual ficaram os acionistas e os obrigacionistas subordinados, que provavelmente nunca receberão o dinheiro investido, e ativos 'tóxicos' como o Banif Brasil (há desde janeiro de 2019 um acordo para a sua venda por um real a uma sociedade de advogados brasileira).

O Banif ('banco mau') é atualmente presidido por José Manuel Bracinha Vieira, que foi quadro do Banco de Portugal, a quem cabe preparar a liquidação do banco. Antes, teve como presidente Morais Alçada que pediu, no fim de 2016, para não continuar em funções.

Em abril, segundo informação divulgada pela Lusa, o Banif em liquidação tinha recebido cerca de 6.000 reclamações de créditos.
Ver comentários
Saber mais Banif S.A. Banco de Portugal BdP Baker Tilly Oitante Banco Santander Totta S.A. banca
Mais lidas
Outras Notícias