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Centeno: "O papel do BdP não pode caracterizar-se pelo antagonismo ou isolacionismo"

Mário Centeno está no Parlamento a defender a escolha do seu nome para governar o Banco de Portugal. O papel do banco central, diz, também passa por "aconselhar o Governo"

Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 08 de Julho de 2020 às 09:33
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Nem isolacionismo, nem antagonismo. A "complementaridade" com o Governo e com as restantes instituições públicas é uma das chaves para o papel do banco central na sociedade. A visão é de Mário Centeno, a escolha do Governo para substituir Carlos Costa, com quem o atual Executivo tem mantido uma relação atribulada, na governação do Banco de Portugal (BdP). O antigo ministro das Finanças está esta quarta-feira, 8 de julho, a defender a escolha do seu nome perante a Assembleia da República, a quem diz acreditar que uma das competências do banco central passa, também, por "aconselhar o Governo".

Numa intervenção inicial em que, por várias vezes, apontou para a sua formação académica e experiência profissional como trunfos para governar BdP, e em que deixou algumas ideias sobre qual deverá ser a atuação neste mandato, Mário Centeno deixou também críticas implícitas a Carlos Costa, que agora deixa o cargo de governador.

"A excelência do BdP vem de há muitos anos, mas deve ser renovada. O BdP não deve enfrentar desafios numa torre de marfim", atirou, para, pouco depois, voltar a deixar recados ao seu antecessor. "O papel do BdP não pode caracterizar-se pelo antagonismo ou pelo isolacionismo, mas antes pela complementaridade com o Governo e com a restante comunidade", afirmou Mário Centeno, ouvido na Comissão de Orçamento e Finanças.

Sobre as questões que têm sido levantadas sobre a sua independência ou possíveis conflitos de interesse relativos à passagem direta do Ministério das Finanças para o BdP, Mário Centeno voltou a deixar claro que não acredita na existência de conflitos de interesse. "A independência não é outorgada ou reclamada", afirmou. Antes "depende da ação de quem a exerce". E acrescentou: "A independência do BdP não se questiona nem se impõe". É a "capacidade técnica", que por várias vezes aludiu a possuir, que constitui "o principal garante da independência".

Sobre a forma como irá conduzir o banco central, Centeno disse acreditar que o BdP "pode e deve contribuir decisivamente para a definição de políticas nacionais coerentes que permitam a Portugal vencer os importantes desafios que se colocam em portugal e no mundo". Ao mesmo tempo, "deve velar pela estabilidade do sistema financeiro nacional e tem o dever de aconselhar o Governo", contribuindo para "a definição de políticas nacionais coerentes".

Notícia atualizada pela última vez às 9h46 com mais informação.
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