Crédito Agrícola mantém rede de balcões intacta porque é um banco de "nicho"
O presidente do grupo cooperativo garante que não há "nenhum programa de encerramento" de agências. Licínio Pina assegura que os resultados do Crédito Agrícola são sustentáveis para manter a actual presença no mercado.
Enquanto os grandes bancos comerciais estão a cortar balcões, o banco cooperativo Crédito Agrícola mantém o mesmo número de agências no país. Para o presidente da instituição, há uma razão: "actua em nichos de mercado".
"O Crédito Agrícola desenvolve uma actividade bancária diferenciada e actua em nichos de mercado. Somos um banco de nicho, não somos um banco massificado", disse Licínio Pina, na conferência em que apresentou o lucro de 26,9 milhões em 2014.
Essa posição deve-se, declarou o CEO em resposta aos jornalistas, a uma "componente de serviço social às populações", já que considera que a presença em várias localidades, onde muitas vezes está sem concorrência, é vista como um "serviço social como um posto médico".
No final do ano passado, o grupo contava com 683 balcões, o mesmo número que tinha um ano antes. "A rede de distribuição do Crédito Agrícola foi, ao longo de 2014, alvo de abertura e encerramento de agências que visaram melhorar a cobertura da população com os serviços financeiros do grupo", diz o comunicado de resultados. Mas o saldo foi o mesmo: 683. Aí, trabalhavam 4.108 funcionários, menos 53 que em 2013.
"O Crédito Agrícola tem mantido a sua rede e não tem nenhum programa de encerramento", assegurou o responsável pela instituição financeira referindo-se ao futuro.
Questionado sobre se é sustentável manter a rede enquanto os outros cortam, Licínio Pina respondeu que os "resultados dizem que sim". "Os nossos resultados, comparados com outros bancos que estão a encerrar balcões, são muito melhores", ironizou.