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Depois da venda dos transportes, Sérgio Monteiro contratado para vender Novo Banco

Foi o responsável pelas privatizações e concessões nos transportes. Esteve à frente das renegociações de PPP, que envolveram os bancos. Sérgio Monteiro vai agora para o Fundo de Resolução da banca, responsável pela venda do Novo Banco. Assume funções na próxima segunda-feira.

Miguel Baltazar/Negócios
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Da banca para o Governo e do Governo para a banca. O até agora secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, que foi para o Executivo vindo do banco de investimento da Caixa Geral de Depósitos, vai para o Fundo de Resolução da banca, segundo adiantou o Público e confirmou o Negócios.

 

Sérgio Monteiro foi contratado pelo Fundo de Resolução para desempenhar a função específica de coordenar a equipa do Banco de Portugal que está a vender o Novo Banco, soube o Negócios junto de fonte conhecedora do processo. Será o Projecto Manager Officer (PMO) da alienação do banco que ficou com os activos saudáveis do BES.

 

O ex-secretário de Estado vai entrar em funções já na segunda-feira, 2 de Novembro, já que deixará de fazer parte do Governo assim que o novo ministro tomar posse na sexta-feira. A escolha de Sérgio Monteiro foi coordenada entre o Banco de Portugal e a Associação Portuguesa de Bancos, segundo apurou o Negócios. Aliás, segundo o Banco de Portugal refere em comunicado, a contratação pelo Fundo será feita "em articulação" com a associação que representa os bancos.

"Tendo em consideração a complexidade e os desafios associados ao processo da venda do Novo Banco, foi identificada a necessidade de encontrar um responsável de reconhecido mérito e elevada experiência em operações desta natureza que pudesse assegurar a coordenação e gestão de toda a operação, incluindo o acompanhamento do programa de transformação a implementar pelo Novo Banco, que é condição essencial para a sua venda", assinala o comunicado publicado pelo Banco de Portugal

Ainda não foi possível obter uma confirmação por parte do Ministério das Finanças que, a par do Banco de Portugal, é quem pode designar membros da comissão directiva deste fundo, criado em 2012 para que quaisquer problemas na banca não caíssem sobre os contribuintes. Sérgio Monteiro fica num novo cargo e não na comissão directiva. Não é feita referência à remuneração. 

  

Segundo o site oficial, a comissão directiva do Fundo de Resolução é composta por José Berberan Ramalho, presidente, designado pelo Banco de Portugal, Elsa Roncon Santos, da Direcção-Geral de Tesouro e Finanças e designada por quem tiver a tutela do Ministério das Finanças, e ainda José Bracinha Vieira, designado por acordo entre o regulador e o ministro. O Banco de Portugal assegura os serviços técnicos e administrativos a cargo do Fundo de Resolução.

 
O até aqui governante vai liderar o dossiê mais mediático e complexo, como tinha sido adiantado pelo Público e depois confirmado por outros jornais, incluindo o Negócios: a venda do Novo Banco. Já houve um concurso internacional, organizado pelo BNP Paribas, iniciado em Dezembro de 2014 e cancelado em Setembro de 2015, quando o Banco de Portugal considerou que nenhuma das três propostas finalistas era satisfatória. Não se conhecem ainda os moldes de uma alienação futura. 


Privatizações no percurso

Em 2011, Sérgio Silva Monteiro entrou para o Executivo no primeiro leque de secretários de Estado. Ficou responsável pela área das Obras Públicas, Transportes e Comunicações. Por aí ficou, mesmo depois de o independente Álvaro Santos Pereira deixar de ser ministro e dar lugar ao centrista António Pires de Lima, em 2013. 

 

No seu percurso, foi responsável pela privatização de empresas como a TAP processo ainda em curso) e CP Carga. Também tratou das subconcessões dos transportes públicos de Lisboa e do Porto (Carris, Metro de Lisboa, Metro do Porto e STCP). Deu a cara pelas renegociações das parcerias público-privadas rodoviárias, que envolveram os bancos. 

 

O governante estava, quando entrou no Executivo, na administração do banco de investimento do grupo estatal, o CaixaBI. Agora, sem integrar o Executivo, voltaria para o grupo financeiro. Mas, segundo o Público, apesar de manter o vínculo com a Caixa Geral de Depósitos, será dispensado sob um regime de prestação de serviços.

(Notícia actualizada às 14h43 com mais informações; actualizada pela última vez, às 15h05 com comunicado do Banco de Portugal)

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