Finantia aguarda luz verde do Banco de Portugal para mudar gestão
O Banco Finantia já elegeu uma nova administração, cujos membros aguardam registo do Banco de Portugal. O supervisor garantiu ao i que a nova equipa deixa de fora os gestores condenados num processo de contra-ordenação, que foi contestado. Os administradores, incluindo o actual presidente, António Guerreiro, recusam qualquer relação entre o processo e a mudança da gestão do banco.
Os accionistas do Banco Finantia nomearam novos órgãos sociais, entre os quais um novo conselho de administração, cujos nomes ainda não são conhecidos, uma vez que a sua nomeação ainda aguarda registo do Banco de Portugal. No entanto, segundo escreve o i na edição desta sexta-feira, 28 de Novembro, a nova equipa deixa de fora os gestores que foram condenados pelo supervisor num processo de contra-ordenação que o Finantia contestou.
A nomeação da nova equipa de gestão teve lugar numa assembleia-geral de accionistas realizada a 14 de Novembro. Fonte do Banco de Portugal adiantou ao i que "já foram nomeados novos administradores, não constando do novo conselho de administração quaisquer membros que tenham sido condenados no âmbito do referido processo de contra-ordenação.
Fonte do Finantia garante que três dos administradores que estão de saída – o presidente, António Guerreiro, Eduardo Costa e Luísa Antas – já tinham previsto abandonar funções executivas na instituição, afastando qualquer relação entre a renovação da equipa de gestão e o processo do Banco de Portugal.
A mudança da administração do banco esteve agendada para a assembleia-geral de Maio, dado que o seu mandato terminou no final de 2013, explicou o mesmo responsável. No entanto, face à revisão da Lei bancária, que foi conhecida na altura e que trazia novas exigências sobre a independência dos gestores bancários, os accionistas decidiram adiar a deliberação deste ponto. Depois da publicação da nova versão do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras, foi convocada a AG do banco para eleger a nova administração, que teve lugar a 14 de Novembro.
"Os novos administradores executivos incluem colaboradores recentes e mais antigos", adiantou fonte do banco ainda liderado por António Guerreiro, afastando qualquer relação entre a nomeação da nova administração e o processo de contra-ordenação decidido pelo Banco de Portugal e que foi impugnado judicialmente pelo Finantia e pelos seus administradores.
Segundo revelou o i na quinta-feira, o Finantia, a Finantipar (maior accionista do banco) e cinco dos actuais administradores, entre os quais o presidente António Guerreiro, foram condenados pelo Banco de Portugal ao pagamento de coimas no valor total de três milhões de euros por terem ocultado informação ao supervisor sobre a situação de liquidez da instituição, entre Setembro de 2007 e o final de 2008. Uma condenação que os arguidos contestaram e cujo recurso está a ser julgado no Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão de Santarém.
Além de Guerreiro, foram condenados pelo supervisor mais quatro administradores do Finantia: Pedro Santos, Luísa Antas, Eduardo Costa e Rui Guerra. Uma decisão que o banco e os gestores contestam. "O Finantia, os seus advogados e a ProicewaterhouseCoopers [que certificou as contas do banco que o supervisor questiona] contestam a decisão do Banco de Portugal", um processo que tem três anos e cujo recurso está a ser julgado em Santarém.
Os cinco administradores, o Finantia e a Finantipar foram acusados pelo Banco de Portugal de "práticas dolosas" de falsificação de contabilidade, inobservância de regras contabilísticas e prestação de informação falsa durante um dos períodos mais quentas da crise financeira.
Segundo o jornal, que cita o relatório de acusação do Banco de Portugal, o Finantia usou um off-shore, a WWI – World Wide Instruments para "parquear ilicitamente fora da sua contabilidade determinados investimentos financeiros de altíssimo risco num momento histórico de 2007/2008, em que o mercado atravessa uma crise, com repercussão na valorização desses produtos e necessidade de reconhecimento de perdas associadas à desvalorização".
Além disso, e ao mesmo tempo, a instituição liderada por António Guerreiro "não se terá limitado a transferir a titularidade de investimento para sociedade", tendo constituído "contratos simétricos dos contratos celebrados com as respectivas contrapartes externas para não reflectir os riscos de contabilidade".