Famílias europeias deviam investir melhor as suas poupanças para a reforma, avisa BCE
O BCE diz que seria fundamental canalizar as poupanças para as pensões nos mercados de capitais da UE para enfrentar o envelhecimento da população.
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As famílias europeias deviam investir melhor as suas poupanças, por exemplo, para complementar a pensão pública e garantir um nível de vida adequado na reforma, especialmente as mulheres, defendeu esta quinta-feira o BCE.
O Banco Central Europeu (BCE) advertiu que as famílias na Zona Euro têm grande parte das suas poupanças em depósitos bancários de baixa rentabilidade e não investem em ações por desconhecimento e aversão ao risco, intensificada pela lembrança da crise financeira global de há quase vinte anos.
O BCE considera que a integração do mercado de capitais na Zona Euro diminuiu desde 2022 e parte significativa do investimento europeu em ações é canalizada para fora da União Europeia (UE), segundo o Relatório de Integração de 2026. Isto impede que grande parte das economias dos europeus seja canalizada para investimentos produtivos que impulsionem o crescimento e a competitividade da Europa a longo prazo.
"A integração financeira é crucial para a prosperidade, estabilidade e competitividade da União Económica e Monetária", disse o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos.
Com um maior investimento das famílias em ações, as empresas poderão aceder com mais facilidade ao capital que precisam para financiar a inovação. A Comissão Europeia (CE) tem como objetivo canalizar as elevadas poupanças da Europa de forma mais eficaz para o investimento produtivo.
O BCE diz que seria fundamental canalizar as poupanças para as pensões nos mercados de capitais da UE para enfrentar o envelhecimento da população.
Em 2025, a CE propôs impulsionar as pensões complementares para garantir rendimentos adequados na reforma.
Estas pensões não substituem as públicas, que são a base dos regimes de pensões de todos os países da zona euro.
Os sistemas públicos de pensões na Europa funcionam maioritariamente através de um sistema de repartição, no qual as contribuições dos trabalhadores financiam as pensões dos reformados, sem acumular ativos no mercado de capitais.
As contribuições para a segurança social não se acumulam numa conta individual para o futuro, são usadas para pagar as prestações atuais com o "contrato geracional", princípio político de solidariedade, onde a população ativa sustenta a passiva.
Devido ao envelhecimento da população, as pensões públicas em muitos casos não serão suficientes para manter um nível de vida adequado, especialmente entre as pessoas vulneráveis e as mulheres, segundo a CE.
O chanceler alemão, o democrata-cristão Friedrich Merz, considerou recentemente necessária uma reforma do sistema público de pensões na Alemanha e dar mais relevância a instrumentos do mercado de capitais quando muitos "baby boomers", a geração da explosão de natalidade posterior à Segunda Guerra Mundial, se estão a reformar.
Os europeus economizam uma grande parte dos seus rendimentos disponíveis e a taxa de poupança das famílias da zona euro é elevada em relação aos rendimentos disponíveis, 15% no primeiro trimestre de 2025, superior à taxa de investimento de 9%.
O BCE considera que uma parte destas economias poderia ser investida produtivamente em ações cotadas, que oferecem rendimentos mais elevados do que as obrigações e os depósitos bancários a longo prazo, ou em títulos corporativos.
O investimento num fundo de investimento de baixo custo teria dado uma rentabilidade anual de aproximadamente 6% nos últimos dez anos, segundo o BCE, semelhante à rentabilidade do índice bolsista europeu MSCI Europe.
Mas 32% das economias das famílias da zona euro estavam em depósitos bancários e divisas no segundo trimestre de 2025, número três vezes maior do que o dos EUA.
As ações cotadas que as famílias da zona euro mantêm diretamente representam apenas 5% da sua carteira, contra 31% nos EUA.