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Lucros do BCP recuam 24,6% para 138,1 milhões de euros

Banco foi penalizado com encargos de 532,6 milhões de euros na Polónia associados a créditos em francos suíços.

O banco liderado por Miguel Maya lidera os ganhos do setor na Europa em 2022, com uma subida de 21%.
Duarte Roriz
Hugo Neutel hugoneutel@negocios.pt 28 de Fevereiro de 2022 às 17:05
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O BCP apresentou lucros de 138,1 milhões de euros em 2021, menos 24,6% do que os 183 milhões registados em 2020.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o banco justifica a degradação do resultado com três fatrores: encargos de 532,6 milhões associados à carteira de créditos em francos suíços concedidos pela subsidiária na Polónia, despesas de 90,7 milhões de euros que se prendem sobretudo com o ajustamento do quadro de pessoal, e 56,2 milhões de euros de contribuições obrigatórias do setor bancário. 

As imparidades e provisões totalizaram mais de mil milhões de euros, influenciadas também pela operação polaca.

Sem o fator Polónia, os lucros do BCP teriam crescido 56,6% para 404,9 milhões de euros.

Em Moçambique, onde o Millennium detém o Banco Bim, o resultado da operação fixou-se em 82,8 milhões de euros, num crescimento de 37,7%.

A margem financeira cresceu 3,7% face a 2020, atingindo 1,59 mil milhões de euros.

As comissões renderam 727,7 milhões de euros, mais 7,6% do que em 2020.

O crédito a clientes aumentou 4,6% para 58,2 mil milhões de euros. Ainda no tema dos créditos, o banco liderado por Miguel Maya entende que o fim das moratórias aconteceu "sem impacto significativo no crédito vencido" e salienta que 90,2 % dos empréstimos que estiveram emmoratórias não tiveram problemas no reinício dos pagamentos, com 96% das famílias a cumprirem essa retoma. Nas empresas a proporção é menor: 84%.

Na atividade em Portugal em 2021, a instituição financeira obteve resultados positivos de 172,8 milhões de euros, num crescimento de 28,5% face ao ano anterior.

Nos últimos anos o banco tem sido penalizado pela operação que detém na Polónia. Em causa estão empréstimos em francos suíços feitos em 2008 pelo Bank Millennium. A valorização da moeda helvética no mercado cambial provocou dificuldades aos titulares desses créditos, e em 2019 o Tribunal de Justiça Europeu determinou que os clientes têm o direito de pedir a conversão dos empréstimos para a moeda local, o que levou a instituição polaca detida pelo banco português a constituir provisões.
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