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Salgado proibido de falar com Sócrates

Ricardo Salgado foi constituído arguido na Operação Marquês. Fica proibido de viajar para o estrangeiro. Não pode falar com entidades ligadas ao Grupo Espírito Santo.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 18 de Janeiro de 2017 às 19:43
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Ricardo Salgado está proibido de falar com José Sócrates. Os dois arguidos não podem manter contacto depois de o ex-banqueiro ser alvo de uma medida de coacção que o impede de falar com outros arguidos na Operação Marquês, processo que tem o ex-primeiro-ministro como protagonista.

 

"O juiz [Carlos Alexandre] decidiu aplicar ao arguido as medida de coacção de proibição de ausência para o estrangeiro sem prévia autorização e de proibição de contactos com os restantes arguidos bem como com algumas pessoas e entidades com ligações ao Grupo Espírito Santo", indica o comunicado da Procuradoria-Geral da República (PGR) divulgado esta quarta-feira, 18 de Janeiro.

 

O Ministério Público, que interrogou Ricardo Salgado e constitui-o arguido na Operação Marquês, pediu ao Tribunal Central de Instrução Criminal (com o juiz Carlos Alexandre) uma medida mais pesada do que apenas o termo de identidade e residência. Carlos Alexandre considerou o pedido justificável. 

 

Salgado fica, assim, proibido de falar com outros arguidos, como José Sócrates e o seu amigo Carlos Santos Silva. Mas há outras 13 pessoas com quem o ex-banqueiro não pode manter contacto. "Até à data, foram constituídos 20 arguidos, 15 pessoas singulares e 5 colectivas, no âmbito deste inquérito, que corre termos no Departamento Central de Investigação e Acção Penal", revelou também a PGR noutro comunicado. 

 

Segundo o mesmo documento, Salgado "é suspeito da prática de factos susceptíveis de integrarem os crimes de corrupção, abuso de confiança, tráfico de influência, branqueamento e fraude fiscal qualificada". Arguido noutros dois processos, Monte Branco e Universo Espírito Santo, o banqueiro já era acusado de vários destes crimes sendo que tráfico de influência é a novidade.

Na Operação Marquês, Carlos Alexandre não obrigou a apresentação de uma caução, como acontecera nos outros dois processos. 


Defesa nega ligação a Sócrates

A defesa de Ricardo Salgado não reconhece qualquer ligação com José Sócrates que justifique a constituição de arguido na Operação Marquês, um facto confirmado hoje pela Procuradoria-Geral da República.


"É completamente falso que tenha existido qualquer ligação entre o Dr. Ricardo Salgado e o engenheiro José Sócrates", afirmou Francisco Proença de Carvalho esta quarta-feira, 18 de Janeiro, dia em que o antigo líder do BES foi constituído arguido na Operação Marquês, o 20º neste inquérito.

  

À saída do interrogatório, e antes de Proença de Carvalho prestar declarações aos jornalistas, Ricardo Salgado assumiu que era uma surpresa estar no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) no âmbito da Operação Marquês – já ali estivera com o Monte Branco e o Universo Espírito Santo, onde é arguido.

 

"Não deixei de ser surpreendido, mas a justiça tem o direito de investigar tudo", disse Salgado aos jornalistas, acrescentando que, como viria o advogado a repetir, "continua a colaborar com a justiça". "Sempre disse isso desde o primeiro dia", concluiu.


(Notícia actualizada às 20:19 com mais informações)
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