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Defesa de Sócrates diz que envolvimento de Salgado visa prolongar processo

Os advogados do ex-primeiro-ministro defendem que a "novidade" Ricardo Salgado na Operação Marquês cria um"novo pretexto para uma nova prorrogação e para continuar uma investigação de que, visivelmente, não sabe já o que fazer".

O antigo primeiro-ministro José Sócrates lamentou a morte do 'grande companheiro político e amigo' Mário Soares, que classificou de 'dirigente político carismático' que 'ficará para a História'. José Sócrates salientou, em declarações à SIC, a 'vida política tão rica e diversificada' de Mário Soares, recordando-o como um dos 'grandes combatentes pela liberdade e pela democracia' em Portugal.
Sócrates lembrou ainda a forma como Mário Soares enfrentou a ditadura, sofrendo a 'prisão, o exílio e o desterro' antes do seu regresso triunfal após o 25 de Abril.
Além de 'combatente pela liberdade', Sócrates disse que Mário Soares deve ser recordado como o político da 'reconciliação', mormente depois da primeira vitória nas eleições presidenciais em que o país 'estava tão dividido'.
'O país estava tão dividido e ele apaziguou o país', sublinhou Sócrates, acrescentando que esses e outros factos transformaram Mário Soares num dos 'políticos portugueses mais influentes' e também num dos 'grandes políticos europeus'.
Em termos pessoais, Sócrates classificou Mário Soares como um 'grande companheiro político e amigo', observando que 'ficará para sempre no coração' a atitude e o apoio que lhe prestou nos últimos tempos.
'O que ele fez por mim nos últimos tempos ficará para sempre no coração', disse Sócrates, que chegou a estar preso preventivamente na cadeia de Évora no âmbito da 'Operação Marquês', tendo, na altura, recebido a visita de Mário Soares.
Sócrates disse ainda recordar ainda Mário Soares como 'um homem de espírito, bom companheiro e divertido', que 'tinha muitos amigos', de diversos quadrantes políticos. Nas suas palavras, foi um 'querido amigo que o inspirou e motivou' e que deixa um legado de alguém que sempre combateu com convicção e determinação.
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 19 de Janeiro de 2017 às 13:18
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Os advogados de José Sócrates acusam o Ministério Público (MP) de introduzir Ricardo Salgado na Operação Marquês como "pretexto" para prolongar o processo judicial, cujo prazo de investigação termina em Março deste ano.


Num comunicado enviado às redacções esta quinta-feira, 19 de Janeiro, os advogados João Araújo e Pedro Delille dizem que após as suspeitas do MP sobre negócios envolvendo o grupo Lena, Parque Escolar, ou Vale do Lobo, vem "mergulhar agora nas ondas do Grupo Espírito Santo" e introduzir a "novidade" Ricardo Salgado.


"Agora, depois de [o Ministério Público] ter ilegalmente violado por quatro vezes o prazo máximo de inquérito, prepara novo pretexto para uma nova prorrogação e para continuar uma investigação de que, visivelmente, não sabe já o que fazer", argumentam no mesmo documento.


O ex-presidente do Banco Espírito Santo foi interrogado esta quarta-feira no Departamento Central de Investigação e Acção Penal e no Tribunal Central de Instrução Criminal, tendo deixado as instalações como arguido, proibido de se ausentar para o estrangeiro sem prévia autorização e de contactar com os restantes arguidos, o que inclui José Sócrates. E com uma nova suspeita: a da prática de crime de tráfico de influência. 


A defesa de Salgado negou ontem qualquer ligação com Sócrates na alegada transferência de verbas do Grupo Espírito Santo para contas na Suíça do amigo do ex-primeiro-ministro, Carlos Santos Silva, e deste para Sócrates, no âmbito da venda da Vivo e compra da Oi pela Portugal Telecom no Brasil, processo em que as decisões do ex-governante teriam beneficiado o universo Espírito Santo.


"É uma falsidade que seja dono, que tenha tido acesso ou sequer conhecimento de qualquer conta bancária na Suíça, como claramente se encontra comprovado nos autos; e é também absolutamente falso que o seu Governo tenha tomado qualquer decisão visando beneficiar o Dr. Ricardo Salgado ou o Grupo Espírito Santo", respondem os advogados de Sócrates no comunicado de hoje.


Por outro lado, repetem a linha de defesa que tem sido exibida nos meses desde que foi detido para investigação: alegam que Sócrates foi preso "sem factos e sem provas, fez imputações infundadas e insultuosas" e que o MP "perseguiu" o antigo primeiro-ministro motivado "no ódio pessoal e em razões políticas."


O prazo para a investigação da Operação Marquês foi alargado em Setembro do ano passado por mais 180 dias, devido a novos factos e à espera de resultado de pedidos de cooperação feitos à justiça suíça e britânica, o que atira para Março deste ano a conclusão do inquérito.


Na altura, a Procuradoria-Geral da República deixava em aberto a possibilidade de um novo adiamento: "Só a título muito excepcional, mediante requerimento fundamentado dos magistrados titulares, poderá ser admitida a possibilidade de prorrogação deste prazo", referia então o comunicado da PGR.

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