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Santander lança planos de rescisão de trabalhadores e volta a dar dividendos este ano

O banco não revela quais são as metas de redução de trabalhadores e de balcões. No final de 2020, tinha 5.980 trabalhadores e 443 balcões em Portugal.

O Santander Portugal, liderado por Pedro Castro e Almeida, constituiu provisões de 30 milhões nos primeiros três meses do ano devido à covid-19.
Tiago Petinga/Lusa
Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 05 de Março de 2021 às 16:42
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Ao fim de vários meses a apresentar propostas de saída aos trabalhadores, e depois de já ter reduzido o quadro de pessoal em mais de 200 pessoas em Portugal, o Santander lançou dois planos formais para reduzir o número de trabalhadores e de balcões. Sem revelar quais as metas de redução, o banco vai lançar estes dois planos, destinados a trabalhadores com mais de 55 anos ou que estejam colocados em balcões alvo de fusão ou de alteração de "layout", a partir do dia 8 de março. E, ainda este ano, o Santander volta a distribuir dividendos, embora não tenha já definido qual será o valor a entregar à casa-mãe.

Os planos foram anunciados num comunicado interno, que foi divulgado esta sexta-feira, 5 de março. "A atual fase de transformação do banco tem vindo a implicar a apresentação a diversos colaboradores de propostas de reforma e/ou de acordos de revogação do contrato de trabalho, em que o banco apresenta as melhores condições do setor e assegura, simultaneamente, uma rede de acompanhamento futuro, incluindo assessoria à recolocação profissional, apoio social e cuidados de saúde", pode ler-se no comunicado, a que o Negócios teve acesso.

O comunicado acrescenta que serão privilegiadas "sempre que possível as aceitações voluntárias, tendo em consideração o contexto individual de cada colaborador e o contexto coletivo dos tempos atuais. Mas salienta o "contexto transformacional que todo o setor bancário a nível europeu e, necessariamente, também Portugal, atravessará neste e nos próximos exercícios".

Foi nesse contexto que a comissão executiva do banco "aprovou dois planos (...) que consistem num esforço renovado de permitir a concretização de saídas por mútuo acordo, mantendo condições muito acima daquelas que possam resultar da ação de processos unilaterais". Isto poucas semanas depois de os sindicatos de trabalhadores do setor bancário e a comissão de trabalhadores do Santander terem exigido à administração do banco a suspensão do processo de reestruturação em curso.

Reformas e rescisões para trabalhadores com mais de 55 anos

O primeiro plano dirige-se aos trabalhadores que tenham, até ao final deste ano, 55 ou mais anos de idade, independentemente de estarem integrados na rede de balcões ou nos serviços centrais. Nestes casos, serão apresentadas propostas de reforma ou de rescisão por mútuo acordo (RMA). Cada proposta irá depender "da situação concreta de cada colaborador, em termos de idade, antiguidade, banco de origem e situação perante a segurança social".

"A realidade individual de cada colaborador implicará que, para alguns, apenas seja possível concreteizar um acordo de reforma, para outros um acordo de RMA e para outros, finalmente, uma alternativa entre um acordo de reforma e de RMA", detalha o comunicado.

Independente de lhes ser apresentada uma proposta, todos os trabalhadores podem candidatar-se a este plano, que terá a duração de três meses.

Diminuição dos "postos de trabalho redundantes"

O segundo plano tem como objetivo "redimensionar" a rede de balcões do Santander e dirige-se aos trabalhadores que estejam integrados em balcões que foram alvo de fusões ou de alteração do "layout".

"O banco tem vindo a implementar o redimensionamento parcial da sua rede de balcões, através de fusões e alteração do 'layout' de diversos balcões, o que tem provocado uma redundância inevitável de postos de trabalho, que levou o banco a desencadear contactos com os titulares daqueles postos de trabalho", aponta o comunicado.

Após estes contactos, mantêm-se "situações de colaboradores naquelas condições com os quais não foi ainda possível chegar a acordo". A esses, o Santander apresenta um "derradeiro plano consensual".

Este plano estará em vigor entre 8 e 26 de março e permitirá que os trabalhadores que tenham recebido propostas de saída desde setembro de 2020 possam aceitá-las neste prazo, "nas mesmas condições da proposta original".

Para "diminuir o número de postos de trabalho redundantes que persistam" quando terminar este segundo plano, "os restantes trabalhadores destes balcões, que tenham menos de 55 anos e não foram objeto de qualquer proposta por parte do banco, poderão igualmente manifestar a sua intenção de negociação de acordos de rescisão, de 29 de março até 9 de abril", conclui o comunicado.

Dividendos voltam em 2021

No mesmo ano em que lança estes planos de rescisão, o Santander vai voltar a entregar dividendos à casa-mãe, confirma fonte oficial do banco ao Negócios.

"Em relação a Portugal, a nossa intenção é pagar dividendos. Assim o faremos, de acordo com os limites definidos pelos reguladores", refere fonte oficial do Santander.

No final do ano passado, o Banco Central Europeu (BCE) emitiu uma recomendação para que, a existir, a distribuição de dividendos feita pelos bancos não seja superior a 15% dos lucros acumulados em 2020.

No ano passado, o Santander reportou lucros de 295,6 milhões de euros. Considerando o limite recomendado pelo BCE, o banco em Portugal poderá distribuir até cerca de 44 milhões de euros à casa-mãe em Espanha. Contudo, fonte oficial adianta que ainda não foi decidido o valor do dividendo a distribuir.

Notícia atualizada pela última vez às 17h10 com mais informação.
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