Venda de dívida pública ajuda Activo Bank a chegar aos lucros seis anos depois
O banco digital conseguiu um resultado líquido positivo em 2014, dinamizado por operações com dívida pública. Para continuar a crescer, o banco do BCP tem um objectivo: quer avançar no crédito concedido.
O Activo Bank voltou aos lucros. Desde 2008 que não acontecia. Houve uma ajuda especial: a venda de alguns títulos de dívida pública que tinha em carteira.
O resultado líquido do banco digital, detido pelo Banco Comercial Português, foi de 5.308 milhões de euros no ano passado, o que representa uma inversão face ao prejuízo de 2.934 milhões de euros alcançados em 2013, de acordo com o comunicado de resultados divulgado pela instituição.
Para este número de 2014 ajudou a venda de metade da carteira de dívida pública, com mais de 4 milhões de euros de mais-valia, aproveitando "uma oportunidade de mercado", segundo o presidente do Activo Bank.
Contudo, Nelson Machado defende que mesmo que não tivesse obtido essa mais-valia extraordinária, o banco tinha registado um lucro de 300 mil euros. Quebra-se, assim, a barreira do "break-even" (fim de prejuízos), previsto para este ano. "Desde 2008" que não havia resultados positivos, relembrou o gestor num encontro com jornalistas.
Em Janeiro de 2015, uma outra parte da carteira de dívida pública da instituição foi vendida – o que vai, por sua vez, dinamizar os resultados de 2015. Ainda assim, o presidente executivo desta entidade do BCP acredita que, mesmo sem esse efeito recorrente, vai obter um lucro de 2,5 milhões de euros.
Em 2014, os custos caíram 7% para 13.118 milhões de euros – não havendo uma estrutura de gastos muito forte (reduzida presença em balcões e 143 trabalhadores), é por aí, diz Nelson Machado, que se consegue manter a oferta de depósitos com taxas mais altas do que o mercado e do que a referência da Zona Euro.
A actuação nas despesas permite que haja geração de dinheiro, tendo em conta que o produto bancário quase duplicou no ano passado, também com o auxílio da venda de dívida. Esta rubrica atingiu os 19.452 milhões de euros (teria aumentado também mesmo sem este efeito não recorrente). A margem financeira - diferença entre juros cobrados e juros recebidos - subiu 71% para 8.479 milhões de euros.
Crédito a clientes é "claramente uma oportunidade"
"2014 foi um bom ano para o Activo Bank em termos de achievements [conquista de objectivos]", defendeu Nelson Machado, adiantando que a instituição ganhou 17 mil clientes líquidos (resultado de entrada e saída de clientes), ou 30%, para um total de 73,1 mil. Para quando os 100 mil? "Final do primeiro trimestre de 2016", atirou.
Os recursos no balanço subiram 25% para 518 milhões de euros, enquanto o crédito concedido melhorou 7% para 17 milhões. Uma diferença considerável e que, para o banco digital, mostra margem para crescer.
"O crédito é claramente uma oportunidade", disse Nelson Machado. Não o crédito massivo mas empréstimos, no essencial, aos clientes já existentes – nomeadamente crédito a particulares como consumo e habitação. Um aumento na concessão de crédito, que é "um dos grandes objectivos de 2015", que compensará o facto de a casa-mãe, o BCP, ter vindo a registar uma diminuição no crédito bruto cedido.