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Kinda Home instala-se na Cabos d’Ávila que foi de uma “hitlerzinha de saias”

A segunda loja de mobiliário e decoração do grupo Nuvi em Portugal começou a ser construída nos terrenos da antiga fábrica de cabos eléctricos, na Amadora, que fechou em Dezembro de 1997 às mãos de uma ex-freira a quem chamavam “hitlerzinha de saias”.

O grupo Nuvi, que detém quatro lojas Kinda Home em Angola, abriu no Porto, há um mês, a primeira unidade da marca de mobiliário e decoração em Portugal. Paulo Duarte/Negócios
Rui Neves ruineves@negocios.pt 30 de Dezembro de 2018 às 15:00
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"Na Nacional 117 em direcção a Belém há demora desde a antiga fábrica dos Cabos d'Ávila até ao acesso à A5 onde ocorreu um acidente." Há muitos anos que nos habituamos a ouvir esta referência industrial na informação de trânsito na Rádio.

 

A antiga Fábrica de Condutores Eléctricos Diogo D’Ávila nasceu em 1921, apenas com dois trabalhadores, no Bairro Alto, e produzia fios para automóveis. Mais tarde, migrou para o Dafundo e, depois, para Alfragide, dando nome ao local que ainda hoje é conhecido por "recta dos Cabos d’Ávila".

 

Chegou a ser a maior produtora portuguesa de cabos eléctricos, tendo atingido o apogeu nas décadas de 60 e 70 do século passado, com mais de 1.200 trabalhadores, sob a liderança de um dos filhos do fundador, Manuel d’Ávila, que morreu em 1992.

 

Passados quatro anos, a Cabos d’Avila começou a afundar-se às mãos da filha mais velha de Manuel. Teresa d’Ávila foi freira durante oito anos, de 1964 a 1972. Perdida de amores por um padre, deixou o convento.

 

Trabalhou pela primeira vez na fábrica em 1986, tendo desde logo mostrado a sua rudeza - mandou construiu um edifício, a "casa amarela", para onde iam os trabalhadores "mal-comportados", que aí eram obrigados a cumprir o horário laboral sem fazerem absolutamente nada.

 

Considerada por todos, até pelos dois irmãos, uma "hitlerzinha de saias", Teresa d’Ávila chegou à liderança da empresa em Fevereiro de 1996, tendo rapidamente entrada em colisão com os trabalhadores. No início de Outubro do ano seguinte, chamou-os para lhes dizer que a empresa tinha batido no fundo - não tinha encomendas, nem matéria-prima, nem dinheiro. Mesmo assim, garantiu, não iria pedir a demissão.

 

A fábrica parou a 2 de Dezembro de 1997. Os 230 trabalhadores que restavam foram para o desemprego. Não querendo render-se ao triste destino da fábrica, Teresa d’Avila chegou a entrincheirar-se uma semana na administração, nos primeiros dias de Janeiro do ano seguinte, acabando por sair depois de uma visita do então governador civil de Lisboa.

 

Na edição de 16 de Janeiro de 1998 do extinto semanário "Tal & Qual", Gabriela d’Avila, irmã de Teresa, desabafou: "Desde que ela se meteu na fábrica que aquilo virou um campo de concentração. Tal como o Hitler ou qualquer outro ditador, acha-se dona da verdade. Ela é a boa da fita e nós os maus. Foi por isso que saiu do convento."

 

Torre do relógio e a chaminé de 30 metros vão integrar a kinda Home

 

O complexo industrial da Cabos d’Avila viria a ser parcialmente demolido em 2004, mantendo-se ainda erguida a torre do relógio, cuja função era suspender os cabos eléctricos, para a sua experimentação, e uma chaminé com cerca de 30 metros de altura.

 

Estas estruturas vão ser reabilitadas pela nova dona destes terrenos - o grupo Nuvi, que vai aqui investir 25 milhões de euros na abertura da sua segunda loja em Portugal da Kinda Home, marca de mobiliário e decoração que inaugurou há um mês a loja do Porto, onde foram investidos 20 milhões de euros, confirmou ao Negócios fonte oficial da empresa.

 

As obras na antiga Cabos d’Avila, que começaram uma semana antes da abertura da loja no Porto, deverão prolongar-se por um ano, tudo indicando que a segunda loja Kinda Home em território português abra a tempo do próximo Natal.

 

Foi há meia dúzia de anos que o grupo Nuvi, nome do universo empresarial de Luís Vicente, entrou no negócio da comercialização de mobiliário e decoração, abrindo lojas com a marca Kinda Home em Angola.

 

"O lançamento da Kinda Home em Portugal estava planeado desde a génese deste projecto, em 2012. Contudo, a crise que assolava o mercado nacional acabou por ditar a entrada da marca apenas no mercado angolano, em 2013, onde, actualmente, temos quatro lojas. Quando o mercado nacional começou a dar sintomas de retoma, retomámos rapidamente o plano de abertura para Portugal", contou João Vicente, CEO da empresa.

 

Além do Porto e da Amadora, a Kinda Home quer abrir mais três lojas em Portugal nos próximos cinco anos.

 

Dono da Kinda Home detém a oitava maior fortuna de Portugal

 

Luís Vicente é o oitavo português mais rico do país, com uma fortuna avaliada em 822 milhões de euros, segundo a revista Forbes Portugal.

 

Começou por ser uma referência nacional da pêra rocha, há mais de 50 anos, em Torres Vedras, tendo mais tarde convertido a Luís Vicente SA num gigante na produção e comercialização de fruta e legumes.

 

No início dos anos 90 partiu à conquista de Angola, onde criou um grupo diversificado que está presente em sete áreas de negócio – entre outros, detém a produtora de refrigerantes e sumos Refriango, e uma rede de retalho alimentar de cerca de 400 lojas através de insígnias como Mega – Cash & Carry, Bem Me Quer e Bem Perto.

 

"Temos mais de cinco mil trabalhadores, a maioria em Angola", afirmou, ao Negócios, João Vicente, que faz parte da segunda geração da família à frente do grupo Nuvi.

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