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Rede de hipermercados de Isabel dos Santos pede apoio do Estado angolano

A Candando apresentou um plano de revitalização para continuar com os supermercados abertos e diz que o apoio do Estado é "fundamental".

Quintiliano dos Santos
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 11 de Junho de 2020 às 15:07
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A Candando, rede de hipermercados angolana detida por Isabel dos Santos, apresentou um plano de revitalização da companhia e um pedido de apoio do Estado e do Governo do país, para fazer face aos efeitos das "dificuldades económicas do país", agravadas pelas medidas de confinamento impostas como resposta à crise pandémica da covid-19 e por não "poder contar com o apoio dos seus acionistas, fruto do arresto preventivo por decisão do Tribunal Provincial de Luanda".

 

A companhia emitiu um comunicado esta quinta-feira depois de Isabel dos Santos ter afirmado ao jornal angolano Valor Económico que a Candando iria fechar metade das lojas que atualmente possui em Angola, o que implicaria o despedimento de cerca de mil trabalhadores.

 

No comunicado emitido esta quinta-feira, assinado pela administração da companhia, a Candando diz que emprega cerca de 2.000 trabalhadores e que a "atual realidade económica, o estado de emergência, e um conjunto próprio de constrangimentos, obrigam a um ajuste ao negócio", mas não quantifica os despedimentos necessários nem quantas lojas terá de encerrar.

 

Diz antes que para "inverter a situação em que se encontra", a Candando "apresentou um plano de revitalização" que já foi aprovado pela sua administração, e "solicitou o apoio às entidades competentes neste sentido tendo, entretanto, já tido a oportunidade de expor a sua situação junto do Ministério do Comércio".

 

O objetivo passa por "manter os seus hipermercados e supermercados abertos", mas para tal será "necessário o apoio das entidades competentes para garantir o acesso a linhas de crédito para compras a fornecedores nacionais produtores e para as compras internacionais".

 

"O apoio do estado angolano é assim fundamental, no acesso e concessão de linhas de crédito com taxas de juro mais acessíveis", acrescenta o comunicado, onde a Candando pede ainda "a agilização administrativa dos processos de licenciamento, e acesso a divisas que permitam proceder às importações atempadas de bens alimentares, bens de consumo e artigos de cesta básica, tão necessários no mercado Angolano".

 

A companhia angolana acrescenta que "pretende honrar e salvaguardar os interesses dos seus parceiros e de todos aqueles que sempre apoiaram este projeto", mostrando esperança que os resultados obtidos com o plano de recuperação vão permitir "garantir a continuidade das lojas e a manutenção dos postos de trabalho".

 

O apoio do estado angolano é fundamental. Este plano passa por manter os seus hipermercados e supermercados abertos. Administração da candando, em comunicado

Nas declarações de terça-feira ao jornal angolano, Isabel dos Santos atribuiu o fecho de lojas da Candando ao arresto que o Tribunal Provincial de Luanda decretou dos seus bens a 30 de dezembro de 2019.

 

"Infelizmente estão a matar as empresas com este arresto. O Candando está a passar grandes dificuldades, pois o arresto do Tribunal de Luanda está a ter um impacto negativo e a afetar a operação da empresa, os danos são grandes, pois não está a permitir ter uma relação normal com os fornecedores. A ordem de arresto mandou congelar as contas bancárias da empresa do Candando em Portugal. Ou seja, já não pode pagar nenhum fornecedor. E mandou bloquear todos os pagamentos no exterior", explicou a empresária ao Valor Económico.

 

A primeira loja da rede de hipermercados Candando foi inaugurada em Luanda em maio de 2016. Inicialmente, a Candando era um projeto conjunto da Isabel dos Santos com o grupo Sonae mas este acabou por sair em 2015, vendendo à empresária a participação de 47% que detinha na Contidis, a holding que controla estes hipermercados.

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