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Mota-Engil com prejuízo de 20 milhões em 2020. Encomendas batem recorde

O grupo fez provisões de 30 milhões de euros no ano passado diretamente relacionadas com a pandemia, penalizando os resultados líquidos num ano em que a carteira de encomendas ultrapassou os 6 mil milhões de euros.  

A Mota-Engil, liderada por Gonçalo Moura Martins, já começou este ano a ver resultados da parceria que fechou com a CCCC em abril de 2019.
Bruno Simão
Maria João Babo mbabo@negocios.pt 31 de Março de 2021 às 07:30
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A Mota-Engil registou no ano passado um resultado líquido negativo de 20 milhões de euros devido ao registo de provisões de 39 milhões de euros, dos quais 30 milhões diretamente relacionadas com a pandemia. Em 2019, o grupo tinha tido lucros de 27 milhões.

Na apresentação dos resultados do ano passado, a empresa liderada por Gonçalo Moura Martins (na foto) salienta, por outro lado, que em 2020 atingiu uma carteira de encomendas recorde, de 6.052 milhões de euros. Um valor que não inclui o projeto ganho em janeiro na Nigéria de 1.820 milhões de dólares, o maior na sua história.

O volume de negócios da Mota-Engil totalizou 2.429 milhões de euros, recuando 17% face aos 2.912 milhões do ano anterior, chegando a quebra aos 26% fora da área de engenharia e construção.


O EBITDA, por seu lado, recuou 9% para 380 milhões de euros, com a margem a aumentar para 16%.

Segundo o grupo, a covid-19 teve um impacto de 360 milhões de euros no volume de negócios e de 45 milhões de euros em EBITDA, a que se somaram os 30 milhões de euros de provisões que impactaram diretamente no resultado líquido.

Só Europa cresce

Na apresentação dos resultados, a Mota-Engil salienta que o desempenho operacional foi penalizado pelo contexto, sobretudo nos mercados emergentes. Na América Latina, o volume de negócios caiu 37% no ano passado, assumindo o grupo ter sido esta a região onde "teve o maior impacto na sua atividade motivado pelos lockdowns decretados em diversos mercados com destaque para o Peru e por paragens durante o primeiro e segundo semestre no México e Brasil".

Em África, onde diz que se verificaram constrangimentos logísticos associados à pandemia, a redução chegou aos 24%, com Angola a registar uma quebra de 35% e Moçambique de 21%.

Já na Europa, a atividade do grupo cresceu 15% na área de engenharia e construção, com Portugal a manter-se aos níveis de 2019, mas a Polónia a registar um crescimento de 65%. A área do ambiente sedeada em Portugal recuou 4%, o que levou a que no conjunto das atividades do grupo na Europa a subida tenha sido de 8%.


Em termos consolidados esta foi também a região que apresentou uma melhoria do seu EBITDA em 26%, revelando ter sido a que "teve o menor impacto face ao contexto de pandemia vivido durante o ano", aponta.


Na apresentação das contas, além de destacar o aumento da carteira de encomendas, a Mota-Engil realça ainda o crescimento da dimensão média dos contratos celebrados, para recordar que celebrou neste período "três dos quatro maiores contratos da sua história de 75 anos como são os casos dos projetos ferroviários de Kano-Maradi (Nigéria) e Tren Maya (México e a reabilitação da Estrada Accra-Tema (Gana)".

Por essa razão, frisa o "suporte robusto para a recuperação da atividade e retoma do crescimento a partir de 2021 e nos anos seguintes".


O investimento do grupo ficou-se pelos 197milhões de euros em 2020. Já a dívida líquida aumentou 30 milhões de euros face a dezembro do ano anterior, para 1.243 milhões de euros. Um valor que a empresa justifica "pelo contexto de maior exigência e no qual o grupo foi resiliente, focando a sua atuação na preparação de um novo ciclo de crescimento e de geração de cash-flow operacional".

Para 2021 o grupo prevê concretizar o aumento de capital que permitirá à chinesa CCCC ficar com 30% do seu capital, operação que deverá ser finalizada em maio. Prevê ainda apresentar a atualização do seu plano estratégico em meados deste ano.

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