Desporto BCP deixa de financiar o futebol

BCP deixa de financiar o futebol

O BCP, que vai passar a ser presidido por Miguel Maya, já tinha dado indicações de que não queria aumentar a exposição ao futebol. Agora põe preto no branco no regulamento interno, avança o Público.
BCP deixa de financiar o futebol
Tiago Sousa Dias
Negócios 20 de junho de 2018 às 08:53
O BCP já tinha dado a indicação de que não ia aumentar a sua exposição ao futebol. Agora, a nova administração - eleita na assembleia-geral do final do mês de Maio mas que ainda aguarda luz-verde do BCE - faz inscrever essa indicação no regulamento interno, avança esta quarta-feira, 20 de Junho, o jornal Público.

O que fica dito nesse regulamento é que o banco não pode voltar a conceder empréstimos aos clubes de futebol, por uma questão de risco mas também porque, escreve o jornal, não fazer parte do "core business" da instituição financeira.

Essa instrução já tinha sido tomada depois de, em 2012, o BCP ter recebido três mil milhões de euros de ajudas públicas, e a Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia fez precisamente essa recomendação: de que a exposição aos clubes não podia aumentar.

Aliás, segundo Miguel Maya já em 2013 o banco tinha decidido fechar a torneira de crédito ao futebol. "Não está na matriz do banco aceitar concessão de crédito no futebol", justificou em Maio deste ano na conferência de imprensa de resultados trimestrais. Nesse momento, Nuno Amado tinha explicado que o Banco Comercial Português (BCP) aceitara contribuir para a diminuição da dívida do Sporting, através da venda de valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis (VMOC), na "defesa dos interesses do BCP". Tinha sido anunciado, então, que 

o Sporting tinha diminuído a dívida ao BCP e Novo Banco, subscritores de VMOC, com a aquisição de títulos avaliados em 135 milhões por 40,5 milhões, mas evitando a sua conversão em acções da SAD, já que "não temos interesse em ter acções de entidades que sejam nossas clientes, não é a nossa função", frisou o responsável do banco.

 

O fechar da torneira de 2013, noticiado então pelo Negócios, tinha também por base os prejuízos financeiros e de risco reputacional que o BCP estava a ter com o Sporting. Foi, aliás, nesse seguimento que em 2014 foi negociada a reestruturação financeira.

Isto acontece num momento em que o Sporting SAD vê-se a braços com uma crise interna que, de acordo com o seu próprio auditor, pode ameaçar a própria continuidade da sociedade desportiva que, por causa das rescisões dos jogadores - entre os quais os mais valiosos do clube - pode voltar a entrar em situação de falência técnica, com os capitais próprios a voltarem a terreno negativo.


O BCP é um dos principais credores do Sporting, a par do Novo Banco. Foram estes os bancos que fizeram um acordo de reestruturação financeira com o clube de Alvalade em 2014. 

No final de Março, segundo contas do clube, as responsabilidades da SAD com terceiros ascendiam a 267 milhões de euros. Grande parte desse montante é dívida para com o BCP e Novo Banco, que aliás detêm também os VMOC (valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis).

O clube de Alvalade diz poder ainda emitir mais 55 milhões de euros, numa emissão que pode ter condições idênticas à que possibilitou a injecção de 80 milhões de euros na SAD. O clube, no comunicado emitido esta semana, expressou a sua ideia de que a situação financeira da SAD está salvaguardada. Isto apesar do auditor PwC ter dado indicações de que as rescisões eram uma ameaça concreta à SAD. O Sporting tinha prevista uma nova emissão obrigacionista de 15 milhões de euros para Maio/Junho, mas a situação tensa em Alvalade não permitiu à SAD fazer esse empréstimo. Conseguiu, no entanto, adiar para Novembro o reembolso de um empréstimo obrigacionista de 30 milhões de euros que vencia em Maio.

A redução da exposição da banca ao futebol está a ser seguida também pelo Novo Banco. Aliás, o Benfica tem feito amortizações dos empréstimos junto desta entidade. Ainda em Abril o Benfica anunciou a redução do endividamento junto do BCP e Novo Banco em 100 milhões de euros.

Agora a ordem vem do BCP. Miguel Maya, mesmo antes de assumir a presidência executiva do BCP, já tinha referido preocupação com a situação do Sporting. "Gostaríamos de ver a situação do Sporting resolvida rapidamente", afirmou Miguel Maya, à margem da Money Conference, organizada pelo Dinheiro Vivo e TSF.




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