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Football Leaks: quem são as estrelas envolvidas e como fintaram o fisco

Além dos nomes e dos montantes noticiados pela maior fuga de informação da história do futebol e desportiva, começam também a ser conhecidas as peculiaridades das cláusulas de alguns das maiores estrelas o futebol mundial.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 07 de Dezembro de 2016 às 18:00
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São alguns dos melhores (um deles poderá mesmo ver renovado o título de melhor do mundo da FIFA: o CR7, claro está) e é muito dinheiro. Assim se resume em poucas palavras quem e o que está em causa com os milhões de documentos revelados o Football Leaks.

 

Os documentos disponibilizados por esta plataforma à revista alemã Der Spiegel, que depois os partilhou com o consórcio de jornalismo de investigação (European Investigative Collaborations, EIC), representam a maior fuga de informação da história do desporto, refere o jornal Expresso, um dos órgãos de comunicação associados a esta investigação.

 

Em traços gerais o que está em causa é a ocultação de património e, ou, rendimentos em offshores por forma a reduzir o montante pago de impostos. No centro desta investigação estão os alegados esquemas utlizados por futebolistas para ocultarem recebimentos relacionados com publicidade e direitos de imagem. Os clientes do "superagente" Jorge Mendes estão no olho do furacão, designadamente dois dos melhores do mundo na sua respectiva função, Cristiano Ronaldo e José Mourinho.

 

Segundo o El Mundo, ambos terão ocultado recebimentos publicitários através de um esquema a que Jorge Mendes recorre para beneficiar a maior parte dos seus agenciados e que passa, de forma grosseira, por enviar para a Irlanda os montantes em causa, país ondes o agente retém uma comissão sobre a qual paga o respectivo imposto, seguindo o resto – a maior parte – para as respectivas offshores dos seus clientes, designadamente para as Ilhas Virgens Britânicas.  

 

A fuga fiscal é prática habitual utilizada por diversos futebolistas. Ainda recentemente Lionel Messi e o seu pai e agente foram condenados, em Espanha, por fuga ao fisco. O Fisco espanhol tem sistematicamente iniciado investigações às declarações de rendimentos e património dos homens ligados ao futebol, isto num país que até há bem pouco tempo garantia aos futebolistas um sistema fiscal altamente vantajoso.

 

O Fisco espanhol abriu, por exemplo, uma investigação a Cristiano Ronaldo em Dezembro do ano passado. O Ministério das Finanças suspeita de irregularidades detectadas nas declarações do CR7 nos anos de 2011, 2012 e 2013 que, ao todo, terá deixado por declarar mais de 60 milhões de euros

 

Também José Mourinho, outros dos mais mediáticos clientes de Mendes, terá recorrido a offshores para esconder ganhos relacionados com publicidade. O Fisco de Espanha também investigou o "Special One" por suspeitar que este não terá declarado tudo o que ganhou com publicidade nas três épocas em que treinou o Real Madrid. Mourinho acabou por pagar 2,1 milhões de euros, valor correspondente a 20% das receitas obtidas entre 2010 e 2013.

Tendo em conta que estarão em causa esquemas montados pelo empresário Jorge Mendes, há vários futebolistas - portugueses e estrangeiros - conhecidos em Portugal envolvidos nos alegados processos levados a cabo para optimizar os recebimentos publicitários. É o caso dos internacionais Ricardo Carvalho, Pepe, Fábio Coentrão, ou ainda de James Rodríguez e Radamel Falcão, ex-jogadores do Porto. 

 

Neymar recebeu 77 euros por cada autógrafo

 

Os documentos revelados pelo Football Leaks também revelam vários contratos relacionados com direitos de imagem repletos de peculiaridades. Muito rentáveis, por sinal. O brasileiro Neymar assinou em 2013 um contrato com a Panini América que estipulava o recebimento de cerca de 77 euros por cada cromo assinado. Mas, refere o El Mundo, Cristiano Ronaldo assinou, em 2015, um contrato com a Panini ainda melhor: quase 163 euros por cada cromo assinado.

 

Já o italiano Balotelli, de acordo com o Expresso, terá assinado um contrato com o Liverpool que além do salário definia uma cláusula que permitiria receber no final de cada época 1,2 milhões de euros se não fosse expulso em mais do que três ocasiões, se não utilizasse linguagem insultuosa e se não cuspisse em nenhum adversário. 

Outra história curiosa prende-se com Michael Laudrup. Quando foi treinador do clube galês Swansea, a antiga estrela dinamarquesa terá assinado acordos secretos para beneficiar de grandes comissões. Estes contratos, que terão tido como intermediário o seu empresário, Bayram Tutumlu, permitiram a Laudrup receber, entre 2012 e 2014, por intermédio de Tutumlu, perto de 4,3 milhões de euros relativos a sete transferências feitas pelo clube da Premier League. 

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