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“Portugal vai beneficiar do impacto global de 80 mil milhões do Mundial”

O impacto económico do Campeonato do Mundo de Futebol é o tema do novo episódio do podcast Partida de Xadrez que vai para o ar esta segunda-feira. Gonçalo Moura Martins e António Ramalho debatem o evento que tem “um grande impacto global, mas limitado no tempo”.

O Mundial 2026 é o tema do novo episódio.
O Mundial 2026 é o tema do novo episódio.
12:00

O Mundial 2026, que decorre entre 11 de junho e 19 de julho no Canadá, Estados Unidos e México, terá um impacto económico global estimado pela FIFA em 80 mil milhões de dólares e Gonçalo Moura Martins não tem dúvidas que “Portugal vai beneficiar desse pacote, ainda que de uma forma “muito mais modesta e reduzida” do que os países organizadores.

No 55.º episódio do podcast Partida de Xadrez, que vai para o ar esta segunda-feira no site do Negócios e nas principais plataformas, o gestor salienta que “o Mundial de Futebol, para além de ser uma competição desportiva com que apenas os Jogos Olímpicos ombreiam, é um evento económico com grande impacto global, mas limitado no tempo”. Como sublinha, “temos assistido aos países organizadores, com exceção do último Mundial no Catar, a moderarem os investimentos em infraestruturas novas, explorando as existentes e dessa forma contendo os gastos da organização até para maior aceitação das populações”. Ao mesmo tempo, acrescenta, “o resultado económico global tem sido crescente ao longo das competições”.

Já António Ramalho frisa que “estamos perante um fenómeno de três alavancagens”. A primeira, diz, é o desporto, cuja importância no mundo neste momento anda à volta de 2,3 biliões de dólares, mas espera-se que em 2050 represente um valor económico de 8,8 biliões”. A segunda alavanca, aponta, é o futebol, que “tem uma representatividade anormal” com 40 milhões de pessoas a praticar no mundo em equipas desportivas e em que 51% dos que assistem a jogos veem pelo menos 20 minutos. Por fim, frisa, o Mundial, que “atinge 91% de notoriedade” e “as seleções que mais estendem a sua presença conseguem não só alargar o efeito das receitas, mas sobretudo conseguem atingir a terceira alavancagem, que é a sua internacionalização”. “Se Portugal ganhar o Mundial, não só é um orgulho nacional, como, do ponto de vista económico, a relevância da marca e do seu posicionamento internacional é muito elevada”, diz.

Sobre o Mundial 2030, que será organizado por Portugal, Espanha e Marrocos, Gonçalo Moura Martins salienta que o país “teve a inteligência de não fazer investimento em estádios”,  sendo que os três que serão usados para um total de seis jogos (Dragão, Luz e Alvalade) vão ser apenas melhorados. Em seu entender, “o nível de investimento que é requerido é muito diminuto”, sendo que em termos de impacto é estimado pela PwC em mais de 800 milhões de euros, o que “não é um ‘life-changing’”. “O que é curioso é que por cada euro investido vamos ter um retorno de 8,5 euros, o que é muito significativo”, diz.

Para António Ramalho, o que se espera do campeonato que se realiza dentro de quatro anos “são mais soft skills”, como “a valorização do espaço desportivo como espaço de maior utilidade e o facto de estarmos a ser chamados à responsabilidade da organização do Mundial no ano do seu centenário”.

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