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Qatar: um torneio atípico com Portugal a liderar valorização desde Mundial da Rússia

A distância até ao Qatar, a altura do ano e o contexto de uma crise iminente com a inflação em máximos de décadas levam a que o Mundial 2022 deva ter um retorno inferior para a economia portuguesa face a edições anteriores. O desempenho da seleção nacional será decisivo para o impacto, mas, mesmo assim, o efeito no PIB deverá ficar aquém de outros anos.
Pedro Curvelo e Paulo Ribeiro Pinto 20 de Novembro de 2022 às 09:00

O Mundial no Qatar é "uma competição atípica", o que levou o Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM) a optar por este ano não elaborar o habitual estudo sobre o contributo para a economia nacional da competição, diz ao Negócios Daniel Sá, diretor executivo da instituição.

Apesar de não ter dados concretos, Daniel Sá não tem dúvidas: "O impacto deste Mundial será menor do que o de anteriores com igual desempenho da seleção." E sustenta esta convicção com diversos fatores.

"Em primeiro lugar, o Mundial realiza-se num destino longínquo e pouco acessível para os portugueses. Não serão, certamente, muitos os adeptos que se deslocarão ao Qatar para assistir ao vivo aos jogos de Portugal", refere.

"Mas, acima de tudo, nós estamos habituados a que as grandes competições de futebol ocorram no verão e em período de férias escolares. Ao realizar-se nesta altura, o efeito de aumento do consumo em esplanadas, nas Fan Zones, restaurantes, deverá ser mais reduzido", explica. "Até mesmo as ações promocionais dos patrocinadores da seleção serão, provavelmente, menores", assinala.

Daniel Sá aponta ainda os horários dos jogos para sustentar que será mais difícil que o retorno económico atinja os valores de outros torneios.

E, há ainda a questão do contexto macroeconómico. "Este Mundial decorre numa altura em que estamos perante um cenário de grande incerteza, de risco de uma recessão iminente e com a inflação em níveis inéditos em várias décadas. Obviamente isso tem impacto na propensão ao consumo. Deverá haver uma maior contenção nos gastos, por exemplo com ‘merchandising’ da seleção", frisa.

Assim, conclui, "é bastante seguro que o retorno para a economia nacional será menor do que os registados em anteriores competições, mesmo com igual desempenho desportivo".

No Mundial de 2018, na Rússia, o estudo do IPAM estimava que o título mundial valeria 678 milhões de euros para a economia portuguesa, enquanto a eliminação na fase de grupos renderia 333 milhões. A eliminação nos oitavos de final, frente ao Uruguai, levou a que, segundo o IPAM, o retorno para a economia portuguesa tenha sido de 394 milhões de euros.

A metodologia utilizada pelo IPAM considera o contributo para o produto interno bruto (PIB) dos efeitos no consumo em casa, do consumo na restauração, da publicidade, das apostas desportivas online e das viagens de avião.

De notar ainda que, face a 2018, o efeito nas apostas desportivas online deverá ser mais elevado, uma vez que existem mais operadores e os volumes de apostas desportivas têm vindo a crescer de forma continuada nos últimos anos.

"Jackpot" para Benfica e Porto?

O Mundial é também, por excelência, uma montra para os jogadores e, desta feita, com a janela de transferências de inverno a ocorrer logo após o final da competição.

No entanto, os jogos no Qatar poderão ter pouco efeito na valorização dos jogadores dos clubes portugueses, que não contam com um lote muito alargado de atletas presentes e vários poderão não chegar a pisar os relvados.

Na seleção das "Quinas", Benfica e FC Porto contam com três jogadores cada, enquanto o Braga tem um representante. Mas os clubes nacionais marcam presença noutras seleções. Entre os chamados "três grandes", o Sporting conta com os uruguaios Coates e Ugarte, o ganês Fatawu e o japonês Morita, enquanto o Porto tem o iraniano Taremi, o sérvio Grujic e o canadiano Stephen Eustáquio. Já o Benfica tem os argentinos Enzo Pérez e Otamendi e o dinamarquês Bah.

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